Eleições 2026
Campanha de Flávio Bolsonaro restringe falas de aliados na reta final do 1º turno
Equipe orienta redução de entrevistas e declarações improvisadas para evitar desgaste a 16 dias da votação; aliados sugerem viagem a Nova York entre turnos
A campanha de Flávio Bolsonaro adotou uma estratégia de contenção de danos na reta final do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. A orientação repassada a aliados e integrantes da equipe do candidato do PL é evitar declarações de improviso, reduzir entrevistas e não se manifestar sobre assuntos que possam gerar desgaste.
A avaliação interna, a 16 dias do primeiro turno, é que qualquer fala mal colocada ou retirada de contexto pode ser explorada pela campanha petista e comprometer o desempenho nas urnas.
A cautela aumentou após os números mais recentes do Datafolha, divulgados na quinta-feira (17), que mostram empate técnico entre Lula e Flávio. No primeiro turno, o presidente aparece com 39% das intenções de voto, contra 36% do candidato do PL. Em um eventual segundo turno, Lula marca 46% e Flávio, 44%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
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A campanha comemora o resultado, considerando que Flávio conseguiu recuperar parte do apoio perdido em maio, quando foi divulgado um áudio no qual o senador tratava com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Estratégia de blindagem
O objetivo declarado pela equipe é se proteger da ofensiva petista e, se possível, terminar o primeiro turno à frente de Lula. O PT tem intensificado publicações nas redes sociais e inserções na televisão associando Flávio a Daniel Vorcaro, ao Banco Master, ao caso das “rachadinhas” e às milícias.
Para evitar novas polêmicas, a campanha tem buscado distanciar Flávio de movimentos de aliados que possam gerar desgaste. O candidato afirmou não ter autorizado o deputado Zé Trovão (PL-SC) a acionar a Justiça contra o reajuste de 15,04% no Bolsa Família, que elevou o benefício de R$ 600 para R$ 691.
“Quero dizer que houve um deputado que acionou a Justiça para tentar barrar esse reajuste. Não foi com a minha autorização. Não concordo com isso. Ele não deveria ter entrado com a ação, mas entrou. Fez isso por conta própria. Não fui eu que pedi que ele fizesse isso”, declarou Flávio nas redes sociais.
A mesma estratégia de distanciamento tem sido aplicada em relação às ações de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O discurso da campanha é que o ex-deputado tem autonomia e não atua de forma coordenada com a equipe de Flávio.
Agenda e possível viagem
A estratégia prevê manter o candidato em agendas públicas e visitas pelo país, com prioridade para o Sudeste, região decisiva por concentrar o maior número de eleitores. Ao mesmo tempo, Flávio deve reduzir declarações e priorizar manifestações previamente planejadas. Na sexta-feira (18), ele cancelou uma entrevista à Rede Record. A assessoria alegou motivos de agenda.
Paralelamente, aliados tentam convencer o candidato a viajar para Nova York entre o primeiro e o segundo turnos para uma agenda com o mercado financeiro. A proposta seria realizar encontros com grandes empresários e investidores americanos como demonstração de força. Flávio, no entanto, resiste à ideia, segundo integrantes da campanha, devido ao curto intervalo de 20 dias entre os dois turnos.
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