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19 de setembro de 2026

Eleições 2026

Campanha de Flávio Bolsonaro restringe falas de aliados na reta final do 1º turno

Equipe orienta redução de entrevistas e declarações improvisadas para evitar desgaste a 16 dias da votação; aliados sugerem viagem a Nova York entre turnos

Por Ana Beatriz Ramos
Campanha de Flávio Bolsonaro restringe falas de aliados na reta final do 1º turno
Campanha de Flávio Bolsonaro restringe falas de aliados na reta final do 1º turno

A campanha de Flávio Bolsonaro adotou uma estratégia de contenção de danos na reta final do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. A orientação repassada a aliados e integrantes da equipe do candidato do PL é evitar declarações de improviso, reduzir entrevistas e não se manifestar sobre assuntos que possam gerar desgaste.

A avaliação interna, a 16 dias do primeiro turno, é que qualquer fala mal colocada ou retirada de contexto pode ser explorada pela campanha petista e comprometer o desempenho nas urnas.

A cautela aumentou após os números mais recentes do Datafolha, divulgados na quinta-feira (17), que mostram empate técnico entre Lula e Flávio. No primeiro turno, o presidente aparece com 39% das intenções de voto, contra 36% do candidato do PL. Em um eventual segundo turno, Lula marca 46% e Flávio, 44%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

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A campanha comemora o resultado, considerando que Flávio conseguiu recuperar parte do apoio perdido em maio, quando foi divulgado um áudio no qual o senador tratava com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Estratégia de blindagem

O objetivo declarado pela equipe é se proteger da ofensiva petista e, se possível, terminar o primeiro turno à frente de Lula. O PT tem intensificado publicações nas redes sociais e inserções na televisão associando Flávio a Daniel Vorcaro, ao Banco Master, ao caso das “rachadinhas” e às milícias.

Para evitar novas polêmicas, a campanha tem buscado distanciar Flávio de movimentos de aliados que possam gerar desgaste. O candidato afirmou não ter autorizado o deputado Zé Trovão (PL-SC) a acionar a Justiça contra o reajuste de 15,04% no Bolsa Família, que elevou o benefício de R$ 600 para R$ 691.

“Quero dizer que houve um deputado que acionou a Justiça para tentar barrar esse reajuste. Não foi com a minha autorização. Não concordo com isso. Ele não deveria ter entrado com a ação, mas entrou. Fez isso por conta própria. Não fui eu que pedi que ele fizesse isso”, declarou Flávio nas redes sociais.

A mesma estratégia de distanciamento tem sido aplicada em relação às ações de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O discurso da campanha é que o ex-deputado tem autonomia e não atua de forma coordenada com a equipe de Flávio.

Agenda e possível viagem

A estratégia prevê manter o candidato em agendas públicas e visitas pelo país, com prioridade para o Sudeste, região decisiva por concentrar o maior número de eleitores. Ao mesmo tempo, Flávio deve reduzir declarações e priorizar manifestações previamente planejadas. Na sexta-feira (18), ele cancelou uma entrevista à Rede Record. A assessoria alegou motivos de agenda.

Paralelamente, aliados tentam convencer o candidato a viajar para Nova York entre o primeiro e o segundo turnos para uma agenda com o mercado financeiro. A proposta seria realizar encontros com grandes empresários e investidores americanos como demonstração de força. Flávio, no entanto, resiste à ideia, segundo integrantes da campanha, devido ao curto intervalo de 20 dias entre os dois turnos.

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