Análise Política
Cientista político afirma que sistema político do país chegou ao limite
Marco Aurélio Nogueira avalia que modelo acumula desgaste de décadas e enfrenta polarização sem lideranças capazes de construir alternativas
O modelo político brasileiro atingiu o limite de um processo de desgaste acumulado ao longo de décadas. A avaliação é do cientista político Marco Aurélio Nogueira, professor titular de Teoria Política da Unesp, que participou de programa televisivo no último domingo.
Nogueira considera que o país vive um momento de esgotamento institucional, embora ainda não seja possível determinar se o sistema efetivamente chegou ao fim ou quanto tempo pode continuar operando nas condições atuais.
De acordo com o professor, as estruturas políticas podem entrar em colapso tanto por problemas internos quanto pela pressão da sociedade. No caso brasileiro, a dificuldade está justamente na ausência de uma pressão social capaz de produzir mudanças efetivas.
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O cientista político argumenta que a indignação, isoladamente, não consegue alterar o funcionamento do sistema. A sociedade brasileira atual, segundo ele, funciona como força de pressão baseada na indignação, o que não necessariamente conduz a transformações concretas.
Duas necessidades urgentes
Nogueira identificou duas condições que considera fundamentais para uma possível mudança. A primeira seria o que chamou de despertar da força intelectual do país, um acionamento das capacidades de reflexão e análise que, na visão dele, existem mas operam em ritmo reduzido.
A segunda necessidade seria o surgimento de lideranças políticas com perfil de estadista, capazes de formular projetos de longo prazo com consistência programática, ética e política, além de contar com apoio de parcela significativa da sociedade.
O problema, segundo o professor, é que nenhuma dessas duas condições está presente no momento atual.
Polarização como obstáculo
O cientista político relaciona o cenário ao processo de polarização política que marca os últimos anos. Para ele, essa dinâmica dificulta a construção de alternativas fora do arranjo já estabelecido.
Nogueira observa que o caminho que poderia produzir transformação mais saudável — a disputa democrática e política — encontra-se enfraquecido pela própria dinâmica atual, minado por um arranjo que considera ruim.
Apesar do diagnóstico de esgotamento, o professor não descarta a possibilidade de o sistema encontrar brechas para continuar funcionando, mesmo sem resolver as dificuldades acumuladas. A incerteza sobre quando ou como esse modelo pode deixar de existir permanece.
Marco Aurélio Nogueira é referência em teoria política no Brasil e autor de diversos livros sobre democracia, partidos políticos e Estado.


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