Carros
Como a BYD ganhou espaço no Brasil e mudou a disputa pelo mercado de eletrificados
Da fábrica na Bahia ao carro mais vendido do varejo nacional, a montadora chinesa cresceu rápido no país — mas também enfrentou uma polêmica grave envolvendo condições de trabalho na construção de sua planta.
Em poucos anos, a BYD deixou de ser uma marca pouco conhecida do público brasileiro para se tornar uma das protagonistas do mercado nacional de veículos eletrificados — com fábrica própria, ampla linha de modelos e um SUV que já figurou como o carro mais vendido do varejo no país em determinados meses. O crescimento, no entanto, também trouxe reações da concorrência e uma controvérsia séria sobre condições de trabalho.
A fábrica de Camaçari
A BYD retomou a produção em sua fábrica de Camaçari, na Bahia, em 1º de julho de 2025, com capacidade inicial para 150 mil veículos por ano — número que a empresa planeja expandir para até 600 mil unidades anuais. Nos seis primeiros meses de operação, a unidade baiana produziu cerca de 10 mil veículos. Em março de 2026, a fábrica fechou pedidos de exportação de 100 mil veículos, divididos entre Argentina e México (50 mil cada). Atualmente, os modelos Dolphin Mini, King e Song Pro são fabricados na planta baiana.
Vendas em alta
O crescimento nas vendas tem sido consistente: em 2024, a BYD comercializou 76.713 veículos no Brasil, alta de mais de 327% em relação ao ano anterior. Em 2025, a marca somou mais de 113 mil unidades vendidas. Segundo levantamento local, a marca conquistou 14,9% de participação de mercado na Bahia em abril de 2026, com 780 emplacamentos no estado naquele mês, além de liderar as vendas entre veículos elétricos no país. O modelo de entrada, Dolphin Mini, chegou a ser o carro mais vendido do varejo brasileiro em determinado mês — mais de 4 mil unidades emplacadas somente em fevereiro daquele ano, somando mais de 64 mil unidades vendidas em dois anos.
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A linha de produtos
A BYD comercializa hoje 14 modelos no Brasil, entre elétricos puros e híbridos plug-in, com preços que vão de cerca de R$ 119.990 (Dolphin Mini) a R$ 559.800 (Han). Entre os modelos mais vendidos estão o próprio Dolphin Mini, o Yuan Plus (a partir de R$ 235.990) e o Song Plus DM-i (a partir de R$ 249.990).
A reação da concorrência
O crescimento acelerado da marca chinesa levou a Anfavea, associação que representa as montadoras estabelecidas no Brasil, a pedir ao governo a antecipação do cronograma de aumento da tarifa de importação sobre veículos elétricos, direto para o teto de 35% permitido pelo Mercosul — em vez do cronograma gradual até então em vigor. O pedido veio em meio a uma alta de 33% nas importações de veículos, puxada principalmente por elétricos chineses.
A polêmica das condições de trabalho
Em dezembro de 2024, uma fiscalização do Ministério do Trabalho resgatou trabalhadores chineses em condições análogas à escravidão nas obras de construção da fábrica de Camaçari — o número de trabalhadores irregulares identificados chegou a 224 ao longo das investigações, e o Brasil chegou a suspender vistos de funcionários ligados à BYD. Em abril de 2026, a empresa entrou e saiu da chamada “Lista Suja” do trabalho escravo em apenas três dias, episódio que levou o governo chinês a cobrar publicamente que empresas do país cumpram a legislação trabalhista local.
Fontes: BYD Brasil (byd.com/br); Jornal Grande Bahia (jornalgrandebahia.com.br); CNN Brasil (cnnbrasil.com.br); Brasil de Fato (brasildefato.com.br).
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