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19 de setembro de 2026

Carros

Como a BYD ganhou espaço no Brasil e mudou a disputa pelo mercado de eletrificados

Da fábrica na Bahia ao carro mais vendido do varejo nacional, a montadora chinesa cresceu rápido no país — mas também enfrentou uma polêmica grave envolvendo condições de trabalho na construção de sua planta.

Por Fabio Bastos
BYD Dolphin, modelo elétrico de entrada da marca também vendido no Brasil (foto: IAA Frankfurt 2023) Foto: Wikimedia Commons/Alexander Migl (CC BY-SA 4.0)

Em poucos anos, a BYD deixou de ser uma marca pouco conhecida do público brasileiro para se tornar uma das protagonistas do mercado nacional de veículos eletrificados — com fábrica própria, ampla linha de modelos e um SUV que já figurou como o carro mais vendido do varejo no país em determinados meses. O crescimento, no entanto, também trouxe reações da concorrência e uma controvérsia séria sobre condições de trabalho.

A fábrica de Camaçari

A BYD retomou a produção em sua fábrica de Camaçari, na Bahia, em 1º de julho de 2025, com capacidade inicial para 150 mil veículos por ano — número que a empresa planeja expandir para até 600 mil unidades anuais. Nos seis primeiros meses de operação, a unidade baiana produziu cerca de 10 mil veículos. Em março de 2026, a fábrica fechou pedidos de exportação de 100 mil veículos, divididos entre Argentina e México (50 mil cada). Atualmente, os modelos Dolphin Mini, King e Song Pro são fabricados na planta baiana.

Vendas em alta

O crescimento nas vendas tem sido consistente: em 2024, a BYD comercializou 76.713 veículos no Brasil, alta de mais de 327% em relação ao ano anterior. Em 2025, a marca somou mais de 113 mil unidades vendidas. Segundo levantamento local, a marca conquistou 14,9% de participação de mercado na Bahia em abril de 2026, com 780 emplacamentos no estado naquele mês, além de liderar as vendas entre veículos elétricos no país. O modelo de entrada, Dolphin Mini, chegou a ser o carro mais vendido do varejo brasileiro em determinado mês — mais de 4 mil unidades emplacadas somente em fevereiro daquele ano, somando mais de 64 mil unidades vendidas em dois anos.

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A linha de produtos

A BYD comercializa hoje 14 modelos no Brasil, entre elétricos puros e híbridos plug-in, com preços que vão de cerca de R$ 119.990 (Dolphin Mini) a R$ 559.800 (Han). Entre os modelos mais vendidos estão o próprio Dolphin Mini, o Yuan Plus (a partir de R$ 235.990) e o Song Plus DM-i (a partir de R$ 249.990).

A reação da concorrência

O crescimento acelerado da marca chinesa levou a Anfavea, associação que representa as montadoras estabelecidas no Brasil, a pedir ao governo a antecipação do cronograma de aumento da tarifa de importação sobre veículos elétricos, direto para o teto de 35% permitido pelo Mercosul — em vez do cronograma gradual até então em vigor. O pedido veio em meio a uma alta de 33% nas importações de veículos, puxada principalmente por elétricos chineses.

A polêmica das condições de trabalho

Em dezembro de 2024, uma fiscalização do Ministério do Trabalho resgatou trabalhadores chineses em condições análogas à escravidão nas obras de construção da fábrica de Camaçari — o número de trabalhadores irregulares identificados chegou a 224 ao longo das investigações, e o Brasil chegou a suspender vistos de funcionários ligados à BYD. Em abril de 2026, a empresa entrou e saiu da chamada “Lista Suja” do trabalho escravo em apenas três dias, episódio que levou o governo chinês a cobrar publicamente que empresas do país cumpram a legislação trabalhista local.

Fontes: BYD Brasil (byd.com/br); Jornal Grande Bahia (jornalgrandebahia.com.br); CNN Brasil (cnnbrasil.com.br); Brasil de Fato (brasildefato.com.br).

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