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19 de setembro de 2026

Economia

Correios revisam balanço depois que a CGU questiona passivo de R$ 1 bilhão reduzido a R$ 18

Auditoria considerou irregular a compensação feita pela estatal entre dois processos trabalhistas. A empresa já corrigiu parte do problema, mas ainda precisa recalcular valores até o fim de setembro.

Por Thayce Mello Atualizado às 11:08

Os Correios tiveram de refazer suas demonstrações financeiras depois que a Controladoria-Geral da União (CGU) questionou uma mudança contábil que praticamente apagou uma dívida trabalhista bilionária. Em 16 de fevereiro de 2024, a estatal baixou para apenas R$ 18 a provisão de R$ 1,032 bilhão reservada para ações movidas por empregados. A alteração entrou no balanço de 2023.

Como a dívida “sumiu”

As ações cobram o pagamento do Adicional de Atividade de Distribuição e Coleta (AADC) e do adicional de periculosidade a carteiros. A empresa argumentou que ganharia outra disputa na Justiça, sobre uma portaria do Ministério do Trabalho e Emprego, e que o crédito dessa vitória cobriria o que ela devia aos trabalhadores. Pelos cálculos da estatal, depois de descontar uma coisa da outra, ainda sobrariam cerca de R$ 16,57 milhões a seu favor.

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A CGU não aceitou esse raciocínio. Segundo os auditores, os Correios contaram como praticamente certo um dinheiro que ainda dependia de decisões judiciais futuras. Além disso, a empresa juntou num só valor dois processos diferentes, que pelas normas contábeis precisam ser registrados separadamente.

Correção parcial

Para atender à recomendação, a estatal refez os registros no fim de abril de 2026 e publicou de novo as demonstrações de 2023. Com isso, R$ 876,2 milhões voltaram ao passivo, R$ 155,8 milhões a menos que o valor original.

A CGU, porém, encontrou novos erros. A conta incluía empregados de São Paulo, Bauru, Alagoas, Maranhão, Rondônia, Santa Catarina e Tocantins que não estavam cobertos pela liquidação das ações. Por isso, o órgão pediu que os valores fossem revistos trabalhador por trabalhador. O prazo termina em 30 de setembro de 2026.

Crise financeira como pano de fundo

A revisão acontece num momento difícil para a estatal. O prejuízo do primeiro semestre de 2026 chegou a R$ 5,6 bilhões, contra R$ 4,3 bilhões no mesmo período de 2025. Para manter o caixa, os Correios dependem de empréstimos com garantia do Tesouro Nacional.

Em dezembro de 2025, a empresa tomou R$ 12 bilhões emprestados. Agora espera receber, já na próxima semana, mais R$ 7 bilhões de um grupo formado por Banco ABC, Citibank, Deutsche Bank e J.P. Morgan. O novo empréstimo tem prazo de 15 anos, com 3 anos de carência, e juros de 114,26% do CDI. O governo também prevê colocar R$ 6 bilhões na estatal em 2027.

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