Eleições Alemanha
Extrema direita lidera mais um estado alemão e esquerda vence em Berlim
AfD conquista 37% dos votos em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, enquanto Die Linke lidera na capital; partido de Merz tem pior resultado desde 1949
A Alemanha registrou neste domingo (20) resultados eleitorais contrastantes em dois estados. No nordeste do país, em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) conquistou a liderança com aproximadamente 37% dos votos, segundo projeções de boca de urna. Já na capital Berlim, a vitória foi do partido de esquerda Die Linke, que obteve cerca de 25% dos votos.
Os resultados marcam o segundo estado vencido pela AfD em duas semanas. Há pouco tempo, o partido de extrema direita havia conquistado vitória histórica na Saxônia-Anhalt, a primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial que uma legenda de extrema direita vence eleições estaduais na Alemanha.
Desempenho desastroso para partido do chanceler
O chanceler conservador Friedrich Merz classificou o resultado em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental como “um desastre”. Seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU), obteve apenas cerca de 5% dos votos no estado, mal ultrapassando a cláusula de barreira necessária para garantir representação no parlamento estadual.
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Esse é o pior desempenho da CDU em uma eleição estadual desde 1949. Apesar do revés, Merz prometeu permanecer no cargo e afirmou que a Alemanha “precisa de mudanças, determinação, firmeza e paciência” para deter o avanço da extrema direita.
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, o Partido Social-Democrata (SPD) ficou em segundo lugar, com aproximadamente 35,5% dos votos. A legenda Die Linke obteve em torno de 9%, enquanto os Verdes e o BSW ficaram próximos de 5% e 4%, respectivamente.
Esquerda avança em Berlim
Na capital alemã, o cenário foi diferente. O Die Linke liderou com cerca de 25% dos votos, praticamente dobrando seu desempenho em relação à última eleição estadual. A CDU ficou em segundo lugar com aproximadamente 20%, seguida pelos Verdes. A AfD apareceu em quarto lugar na cidade, com cerca de 13,5%.
A questão da moradia dominou a campanha em Berlim, onde 85% das famílias vivem em imóveis alugados. O tema foi citado por 32% dos eleitores como principal preocupação, superando imigração, criminalidade e transporte. O Die Linke fez campanha defendendo regulamentação rígida do mercado de aluguéis e até desapropriação de grandes empresas privadas do setor imobiliário.
Cenário político fragmentado
Apesar da vitória da AfD em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, o partido enfrenta dificuldades para formar governo, já que as principais legendas tradicionais recusam coalizões com a extrema direita. Nenhum partido conquistou maioria absoluta nos parlamentos estaduais, tornando necessárias negociações para formação de governos de coalizão.
A copresidente da AfD, Alice Weidel, celebrou os resultados e declarou que o partido é “claramente o novo partido do povo na Alemanha”. Ela afirmou que Merz está “fortemente enfraquecido” e questionou sua capacidade de continuar como líder da CDU.
Os resultados deste domingo intensificam a pressão sobre Merz, que convocou reunião do partido para discutir os próximos passos. Oito governadores estaduais conservadores manifestaram apoio ao chanceler na semana passada, mas os baixos índices de aprovação e o avanço da extrema direita deixam seu futuro político incerto.


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