Mercado Financeiro
Ibovespa supera pela primeira vez os 200 mil pontos após 1º turno das eleições
Índice da bolsa brasileira subiu 9,05% nesta segunda-feira (5), enquanto dólar caiu mais de 4% em reação ao desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno
O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais provocou uma forte reação nos mercados financeiros nesta segunda-feira (5). O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, ultrapassou pela primeira vez os 200 mil pontos e renovou o recorde histórico de pontuação durante o pregão.
Na máxima da sessão, o índice chegou a cerca de 209,6 mil pontos, com alta superior a 9%. O recorde intradiário anterior era de 199.354 pontos, registrado em 14 de abril. Naquela data, o Ibovespa também estabeleceu o recorde de fechamento, aos 198.657 pontos.
A movimentação ocorreu no primeiro pregão após Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno na liderança da disputa presidencial. O senador recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois voltarão a se enfrentar no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
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A leitura dos investidores foi influenciada pela possibilidade de mudanças na condução econômica do país em um eventual governo de Flávio, além do resultado das eleições para o Congresso. O PL ampliou sua força no Legislativo e terá a maior bancada do Senado a partir de 2027.
Bancos puxam alta
A disparada do Ibovespa foi acompanhada por fortes ganhos entre as principais ações do índice, especialmente no setor financeiro.
Por volta das 14h30, os papéis da B3 avançavam 24,42%, enquanto BTG Pactual subia 24,16%. O Banco do Brasil registrava alta de 12,10%, Bradesco avançava 14,30% e Itaú tinha valorização de 11,38%.
Entre as empresas de maior peso no índice, Petrobras subia 9,63%. A Vale seguia na direção contrária e recuava cerca de 2%.
A forte valorização também teve reflexos nos ativos brasileiros negociados no exterior. O ETF EWZ, que acompanha ações brasileiras e é negociado nos Estados Unidos, chegou a registrar alta superior a 10% após o resultado eleitoral.
Dólar cai abaixo de R$ 5
O movimento de valorização dos ativos brasileiros também apareceu no mercado de câmbio. O dólar comercial chegou a cair mais de 4% nesta segunda-feira e foi negociado abaixo de R$ 5.
Por volta das 15h, a moeda recuava 4,21%, a R$ 4,9960. Durante o pregão, chegou à mínima de R$ 4,9530.
Os juros futuros também registravam queda nos contratos de prazo mais longo, refletindo a mudança nas expectativas dos investidores para a economia e a política monetária.
Mercado recalcula expectativas
A reação positiva dos ativos brasileiros ocorre em meio à reavaliação das perspectivas para o próximo governo. Analistas apontam que o desempenho de Flávio no primeiro turno, combinado com o avanço do PL no Congresso, alterou as apostas do mercado sobre a condução da política econômica.
O resultado surpreendeu parte dos investidores porque pesquisas divulgadas antes da votação indicavam Lula na liderança da primeira etapa. Com a vantagem obtida por Flávio, o mercado passou a considerar com maior probabilidade um cenário de mudança na política fiscal e econômica.
Focus mantém pressão sobre inflação
Além das eleições, o mercado também repercutiu nesta segunda-feira o novo Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central.
A projeção dos economistas para a inflação de 2026 subiu de 4,99% para 5,01%, na terceira semana consecutiva de alta. O número está acima do teto da meta de inflação, que é de 4,5%, considerando o centro de 3% e a margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.
Para o crescimento da economia, a estimativa para o PIB caiu de 1,86% para 1,85%. Já a previsão para a Selic no fim do ano permaneceu em 13,50%.
Congresso também entra no radar
O resultado das eleições legislativas é outro elemento considerado pelos investidores. O PL elegeu 19 dos 54 senadores escolhidos no primeiro turno e, somados os parlamentares que já possuem mandato, chegará a 28 das 81 cadeiras do Senado em 2027.
A ampliação da bancada do partido aumenta a possibilidade de influência da oposição ou de um eventual governo de Flávio na agenda econômica e na aprovação de projetos no Congresso.
Até o início da tarde desta segunda-feira, o Ibovespa acumulava alta de 19,23% no ano, enquanto o dólar registrava queda de 4,97% no mesmo período.
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