Política
Milton Leite não se apresenta após prazo de 24 horas e segue procurado pela polícia
Ex-presidente da Câmara de São Paulo havia afirmado que compareceria às autoridades após ser alvo de mandado de prisão; operação investiga suposta infiltração do PCC no sistema de transporte
O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) não se apresentou à polícia após o prazo de 24 horas anunciado por ele próprio e continua sendo procurado pelas autoridades.
Leite é alvo de um mandado de prisão temporária expedido no âmbito da Operação Vectura Corrupta, deflagrada na quinta-feira (17) pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil.
A investigação apura a suspeita de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da capital paulista e possíveis relações entre integrantes da facção, empresários, agentes públicos e políticos.
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Milton Leite nega qualquer envolvimento com a organização criminosa.
Ex-vereador havia prometido se apresentar
Na manhã de quinta-feira, quando a operação foi deflagrada, os policiais tentaram localizar Milton Leite para cumprir o mandado de prisão, mas ele não foi encontrado.
Pouco depois, o ex-vereador divulgou uma manifestação afirmando que estava viajando e que não se considerava foragido.
Ele informou que entraria em contato com seus advogados e se apresentaria às autoridades no prazo de 24 horas.
O período terminou na manhã desta sexta-feira sem que isso tivesse ocorrido.
Com o mandado ainda em aberto, Milton Leite passou a ser tratado pelas autoridades como foragido e as buscas continuaram.
Polícia foi a Sorocaba atrás de Milton Leite
Uma das novas diligências aconteceu nesta sexta-feira em Sorocaba, no interior paulista.
A Polícia Civil recebeu informações de que Milton Leite poderia ter passado por um imóvel ligado a um ex-assessor.
Segundo informações obtidas pelos investigadores, ele teria estado no endereço na quarta-feira (16), um dia antes da deflagração da operação.
Equipes foram enviadas ao local, mas o ex-vereador não estava na residência.
A polícia informou que continua realizando diligências para tentar descobrir seu paradeiro.
Dinheiro foi apreendido durante buscas
Embora Milton Leite não tenha sido localizado, os policiais encontraram uma grande quantidade de dinheiro em espécie no imóvel de Sorocaba.
Foram apreendidos aproximadamente R$ 280 mil em reais e US$ 89 mil em dólares, segundo os dados divulgados após a operação.
A origem dos recursos ainda deverá ser esclarecida.
O dinheiro foi encontrado em um endereço relacionado a uma pessoa que já trabalhou como assessor de Milton Leite e que atualmente teria ligação profissional com um dos filhos do ex-vereador.
A apreensão deverá ser analisada dentro da investigação para determinar se existe alguma relação entre os recursos encontrados e os fatos investigados.
Dez dos 16 mandados haviam sido cumpridos
A Operação Vectura Corrupta teve 16 mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça.
Até a atualização divulgada nesta sexta-feira, dez haviam sido cumpridos.
Milton Leite está entre os alvos que ainda não haviam sido localizados.
Entre as pessoas presas durante a operação estão o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira e outros investigados apontados pelas autoridades como relacionados às empresas e pessoas que aparecem na apuração.
A investigação também inclui pessoas que, segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, teriam ligação direta com integrantes do PCC.
Investigação mira atuação do PCC no transporte
A Operação Vectura Corrupta é um desdobramento de uma investigação iniciada anteriormente sobre a atuação do crime organizado no setor de transporte coletivo de São Paulo.
As autoridades apuram a suspeita de que integrantes do PCC tenham utilizado empresas de ônibus para lavagem de dinheiro e outras atividades criminosas.
O Ministério Público também investiga a existência de influência da organização criminosa sobre decisões empresariais e possíveis relações com agentes públicos e políticos.
Parte das evidências utilizadas na investigação é formada por mensagens encontradas em celulares apreendidos em etapas anteriores das apurações.
A operação atual é um desdobramento da Operação Decúrio, realizada em 2024.
MP aponta Milton Leite como figura importante no esquema investigado
A investigação atribui a Milton Leite influência relevante sobre empresas do sistema de transporte.
Um dos principais pontos analisados pelas autoridades envolve a Transwolff.
Apesar de o nome do ex-vereador não aparecer formalmente no quadro societário da companhia, investigadores sustentam a hipótese de que ele exerceria influência sobre decisões da empresa.
O Ministério Público chegou a apontá-lo como possível “dono de fato” da Transwolff.
Milton Leite rejeita essa versão.
O ex-vereador afirma que nunca foi proprietário da empresa e nega qualquer relação com integrantes do PCC.
A Transwolff também já afirmou que ele nunca teve participação societária, atuação administrativa ou poder de comando na companhia.
As suspeitas apresentadas pela polícia e pelo Ministério Público permanecem sob investigação e ainda dependem de análise judicial.
Investigação também alcança outras empresas
A apuração não está limitada à Transwolff.
As autoridades investigam diversas empresas que atuam ou atuaram no transporte coletivo da cidade de São Paulo.
Segundo documentos da investigação divulgados pela imprensa, existem suspeitas de participação direta ou indireta de integrantes da facção em diferentes companhias.
Os investigadores procuram identificar de que maneira recursos de origem criminosa poderiam ter entrado no sistema de transporte e quais pessoas teriam participado dessas operações.
Também são analisadas possíveis relações entre empresários do setor, agentes públicos e integrantes da organização criminosa.
Milton Leite nega acusações
Desde a deflagração da operação, Milton Leite afirma que não possui qualquer ligação com o PCC.
Ele também nega ter participado de esquemas criminosos relacionados às empresas de transporte.
Na quinta-feira, o ex-vereador afirmou que pretendia provar sua inocência e que compareceria às autoridades.
Até a tarde desta sexta-feira, porém, sua apresentação ainda não havia ocorrido.
O mandado de prisão temporária permanece válido e as equipes policiais continuam realizando diligências para localizá-lo.
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