Política
Polícia Civil procura por Milton Leite em Sorocaba, mas ex-vereador não é encontrado
Ex-presidente da Câmara de São Paulo é alvo de mandado de prisão na Operação Vectura Corrupta; policiais fizeram buscas em imóvel ligado a ex-assessor e apreenderam dinheiro em espécie
A Polícia Civil de São Paulo realizou uma nova diligência nesta sexta-feira (18) para tentar localizar e prender o ex-vereador Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo.
Os agentes foram até um imóvel em Sorocaba, no interior paulista, após receberem informações de que o político poderia estar no local.
Milton Leite, porém, não foi encontrado.
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O endereço é ligado a um ex-assessor do político. Durante a ação, os policiais encontraram uma grande quantidade de dinheiro em espécie, em reais e dólares.
As autoridades agora deverão apurar a origem dos recursos e se existe alguma relação com os fatos investigados.
Polícia segue procurando ex-vereador
Milton Leite é considerado foragido pelas autoridades desde quinta-feira (17), quando foi deflagrada a Operação Vectura Corrupta.
A ação é conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil e investiga suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas responsáveis pelo transporte coletivo.
A Justiça expediu 16 mandados de prisão temporária e 18 mandados de busca e apreensão.
Dez pessoas haviam sido presas até a manhã desta sexta-feira, enquanto outros alvos continuavam sendo procurados.
Milton Leite está entre eles.
Ex-vereador havia prometido se apresentar
Na quinta-feira, após não ser localizado pelos policiais, Milton Leite afirmou que estava viajando e negou que estivesse fugindo das autoridades.
Ele também informou que se organizaria com seus advogados e que pretendia se apresentar em até 24 horas.
O período mencionado pelo próprio ex-vereador terminou sem que ele tivesse se apresentado.
Com isso, as equipes continuaram realizando diligências para tentar localizá-lo.
As buscas chegaram a Sorocaba depois que os investigadores obtiveram informações de que ele poderia ter passado por um endereço da cidade.
Segundo as informações apuradas durante a diligência, Milton Leite teria estado no local na quarta-feira (16), um dia antes da deflagração da operação.
Dinheiro foi encontrado em imóvel
Durante as buscas no endereço ligado ao ex-assessor, os policiais encontraram centenas de milhares de reais em dinheiro vivo, além de dólares.
Os valores divulgados inicialmente apresentam divergências entre as fontes.
Parte da imprensa informou a apreensão de aproximadamente R$ 280 mil e US$ 79 mil. Outros veículos registraram R$ 287 mil e US$ 89 mil.
A Polícia Civil deverá consolidar oficialmente o montante apreendido e investigar a procedência dos recursos.
Milton Leite não estava no imóvel no momento da chegada dos policiais.
Operação investiga empresas de ônibus
A Operação Vectura Corrupta apura a suspeita de que integrantes do PCC tenham se infiltrado direta ou indiretamente em empresas responsáveis pelo transporte coletivo em São Paulo e outras cidades do estado.
Segundo a investigação, diferentes empresas teriam sido utilizadas em esquemas envolvendo lavagem de dinheiro, corrupção e atuação de pessoas ligadas à organização criminosa.
Os investigadores também apuram possíveis relações entre integrantes do esquema e agentes públicos.
As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam condenação dos envolvidos.
Investigação aponta ligação de Milton Leite com Transwolff
Um dos principais pontos envolvendo Milton Leite está relacionado à empresa Transwolff.
A decisão judicial que autorizou a operação aponta o ex-vereador como possível “dono de fato” da companhia e menciona referências ao nome dele encontradas durante as investigações.
A acusação é negada por Milton Leite.
O ex-vereador afirma que nunca foi proprietário da Transwolff e nega qualquer participação em atividades criminosas ou relação com integrantes do PCC.
A própria empresa também rejeita a versão apresentada pelos investigadores e afirma que Milton Leite nunca teve participação societária, atuação na gestão ou poder de comando dentro da companhia.
Documentos da investigação citados pela imprensa também mostram que parte das suspeitas relacionadas a Milton Leite se baseia em mensagens e declarações de terceiros.
Operação é desdobramento de investigação anterior
As novas diligências são um desdobramento de investigações iniciadas anteriormente sobre a possível atuação do crime organizado no setor de transporte.
A Operação Decúrio, realizada em 2024, já havia investigado empresas suspeitas de ligação com integrantes do PCC.
A partir do material obtido durante aquelas investigações, as autoridades avançaram sobre outras companhias e pessoas.
Segundo o Ministério Público, existem suspeitas de que pelo menos 12 empresas que atuam no transporte coletivo tenham sido controladas direta ou indiretamente por integrantes da organização criminosa.
Essa é uma alegação da investigação e ainda depende da conclusão dos procedimentos e de eventual análise judicial.
Buscas por Milton Leite continuam
Depois da diligência realizada em Sorocaba, as equipes continuaram trabalhando para localizar Milton Leite.
A Polícia Civil informou que não havia, até o fim da ação desta manhã, um novo endereço confirmado para outra tentativa de prisão.
O ex-vereador teve sete mandatos na Câmara Municipal de São Paulo e presidiu a Casa em diferentes períodos.
Atualmente, ele participa das atividades políticas das campanhas de seus filhos, Alexandre Leite e Milton Leite Filho, candidatos nas eleições deste ano.
Enquanto o mandado de prisão temporária permanecer válido e não houver apresentação voluntária, Milton Leite continuará sendo procurado pelas autoridades.
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