Crise no STF
Ministros do STF restringem acesso a dados de 500 GB extraídos de celular de Vorcaro
Gabinetes analisam material enviado pela PF em meio a crise na Corte; arquivo contém conversas, áudios e registros do aparelho do ex-banqueiro
Os gabinetes dos ministros do Supremo Tribunal Federal impuseram acesso restrito à análise dos dados extraídos do celular apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O arquivo compactado enviado pela Polícia Federal tem 500 gigabytes, volume equivalente a cerca de 140 mil imagens em alta resolução ou 40 horas de filmes na mesma qualidade.
O material está sendo examinado por servidores dos gabinetes, que buscam fatos relevantes e possíveis lacunas no recorte feito pela corporação para a produção dos relatórios anteriores. Segundo informações dos bastidores da Corte, ainda não há prazo definido para a conclusão da análise nem decisão sobre os próximos passos.
Os dados foram organizados pela PF utilizando o software IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais), que permite buscas por palavras-chave e estruturação de arquivos. O conteúdo está dividido em pastas com conversas, áudios e logs de atividades realizadas no aparelho.
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Há preocupação especial com a preservação da privacidade de questões pessoais que possam constar no material, além do cuidado para não revelar informações relacionadas a investigações ainda não deflagradas ou que possam gerar novas frentes de apuração.
O arquivo foi enviado aos ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Luiz Fux, André Mendonça e Nunes Marques. A PF informou que as cópias entregues são idênticas à extração realizada do aparelho e que o material original permanece nas dependências da instituição com lacres íntegros.
Disputa interna
A disponibilização dos dados ocorreu em meio a uma disputa entre ministros pelo acesso irrestrito ao acervo digital. Zanin e Mendes acionaram o presidente da Corte, Edson Fachin, pedindo a integralidade do espelhamento do aparelho. Fachin consultou Mendonça, relator da operação Master, que alegou que a divulgação causaria tumulto no julgamento.
Mesmo sem decisão do presidente do Supremo, Zanin, Mendes e Moraes determinaram que a Polícia Federal enviasse cópia do material. Mendonça afirmou que a cópia recebida era de segurança criptografada e lacrada, funcionando como contraprova, e que não havia manuseado a mídia.
Conteúdo do celular
O aparelho foi apreendido em 17 de novembro do ano passado, durante a primeira prisão preventiva de Vorcaro. A extração inicial identificou interlocuções do ex-banqueiro com autoridades dos Três Poderes, incluindo ministros do STF e parentes, políticos, deputados, senadores e diretores do Banco Central.
O material já fundamentou buscas contra os senadores Ciro Nogueira e Jaques Wagner. A crise no Supremo se agravou quando Mendonça retirou o sigilo de relatório da PF que identificou Moraes como interlocutor de 52 mensagens de Vorcaro.
Segundo o relatório policial, o ministro teria atuado na análise e edição de contrato de R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci. A PF também relatou que Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o Brasil dois dias antes de ser preso e pediu ajuda para conter ações contra o banco.
Moraes classificou as mensagens atribuídas pela PF como fantasiosas e afirmou que nunca favoreceu o banqueiro ou o Master.
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