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23 de setembro de 2026

Aviação

Por que a linha E2 da Embraer se tornou destaque no mercado de aviação

Aviões brasileiros ganham espaço global com baixo consumo de combustível, entrega rápida e capacidade ideal para rotas regionais

Por Antônio Miranda
Por que a linha E2 da Embraer se tornou destaque no mercado de aviação
Por que a linha E2 da Embraer se tornou destaque no mercado de aviação

A família de jatos E2 da Embraer tem se consolidado como um dos principais sucessos comerciais da fabricante brasileira no mercado internacional de aviação. Os modelos chamam atenção de companhias aéreas pelo baixo consumo de combustível, pela rapidez na entrega e pela capacidade adequada para operações regionais.

A linha é composta por três versões: E175-E2, E190-E2 e E195-E2, com diferentes capacidades de passageiros e alcances. O E195-E2 é a maior aeronave comercial já produzida pela empresa, com capacidade para até 146 assentos. O modelo foi apresentado pela primeira vez em 2017 e é fabricado em São José dos Campos, no interior paulista.

Economia de combustível como diferencial

Um dos principais atrativos da linha E2 está relacionado ao consumo de combustível, que representa uma fatia significativa dos custos operacionais das companhias aéreas. De acordo com dados da Fundação Getulio Vargas, em 2025 as maiores companhias destinaram entre 17% e 36% de seus custos operacionais ao querosene de aviação.

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A revista britânica The Economist destacou em reportagem publicada em julho que os modelos E2 têm ganhado mercado justamente pela boa autonomia e eficiência energética. Os jatos contam com motores de nova geração e sistemas de navegação modernos.

Bruno Chieregatti, engenheiro mecânico do Instituto Mauá de Tecnologia, explica que a aeronave reúne características técnicas avançadas. “O E2 é uma aeronave do século XXI, que reúne muitas características que fazem esse avião ser diferenciado: projeto bem feito de massa, motores de nova geração, os mais modernos possíveis, e sistemas de navegação também muito modernos”, afirma.

Tamanho estratégico e prazo de entrega

A capacidade intermediária dos jatos E2, entre 140 e 150 passageiros, oferece flexibilidade para as companhias aéreas. Segundo Chieregatti, nem todas as rotas exigem aeronaves com capacidade para 180 a 200 passageiros, como os modelos de Boeing e Airbus.

“Ter uma aeronave com capacidade um pouco menor faz com que as companhias tenham flexibilidade de fazer voos diferenciados”, destaca o especialista. “Esse modelo ainda permite fazer rotas diretas de cidades médias e menores sem precisar passar pelos grandes hubs, como São Paulo e Rio de Janeiro”.

Outro fator relevante é o prazo de entrega. A The Economist informou que atualmente as companhias aéreas enfrentam espera de até dez anos para receber aviões de fuselagem estreita de fabricantes como Airbus e Boeing. A alta demanda por viagens aéreas e os problemas na cadeia de suprimentos, que persistem desde a pandemia de Covid-19, aumentaram a procura por aeronaves menores. Nesse cenário, a Embraer consegue entregar o modelo E2 em menos de dois anos.

Presença no mercado

No Brasil, os aviões da família E2 são operados por Azul e Latam. A Gol também fechou a compra de 20 aeronaves E195-E2. Internacionalmente, os modelos estão presentes ou têm encomendas de companhias como Avelo Airlines (Estados Unidos), Finnair (Finlândia), Star Air (Índia), Luxair (Luxemburgo) e Airlink (África do Sul).

Em julho de 2024, a companhia anunciou ter arrecadado US$ 34,5 bilhões (cerca de R$ 177,7 bilhões) em encomendas, considerando todo o seu portfólio, incluindo jatos particulares e aviões militares. Em 2021, foram entregues 141 aeronaves. A previsão para 2026 é que esse número chegue a 255.

Apesar do crescimento acelerado, a Embraer ainda tem porte menor que suas principais rivais, Airbus e Boeing, conforme observou a revista britânica.

Instabilidade no GPS

Recentemente, uma instabilidade global no sistema de GPS afetou a operação dos aviões da linha E2, atingindo principalmente aeronaves da Azul em rotas pelo Brasil. A Embraer informou que a instabilidade não compromete a segurança dos voos, já que a frota possui sistemas de navegação que permitem a operação mesmo quando há problemas no GPS.

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