Eleições 2026
TSE investiga Flávio Bolsonaro, vice e Mario Frias por rede de collabs no Instagram
Corregedor em exercício identificou indícios de uso coordenado de perfis não declarados para ampliar propaganda eleitoral às vésperas da votação de outubro
O Tribunal Superior Eleitoral abriu investigação nesta terça-feira (22) contra o candidato Flávio Bolsonaro, seu vice Alfredo Gaspar e o ex-secretário de Cultura Mario Frias. O objetivo é apurar suspeitas de uso indevido dos meios de comunicação e abuso dos poderes econômico e político por meio de uma rede de publicações compartilhadas no Instagram.
A ação foi protocolada no domingo (20) pela coligação do presidente Lula. Ao admitir o caso, o corregedor em exercício Ricardo Villas Bôas Cueva apontou indícios de articulação entre perfis e destacou o risco decorrente da expansão acelerada da rede às vésperas da eleição, marcada para 4 de outubro.
Como funciona o esquema investigado
A investigação foca no uso de collabs — recurso do Instagram que permite a uma mesma publicação circular simultaneamente nos perfis de todos os coautores após o aceite de um convite. A acusação sustenta que esse mecanismo está sendo usado de forma coordenada para ampliar a propaganda eleitoral por meio de páginas não declaradas à Justiça Eleitoral.
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O primeiro levantamento identificou 492 collabs e 324 perfis em publicações feitas até 7 de setembro. Mario Frias apareceu em 10 dessas publicações compartilhadas, sendo nove delas com a página @flaviobolsonaroapoio. Uma segunda coleta, realizada entre 8 e 17 de setembro, identificou mais 1.334 publicações e 168 perfis, elevando o total para 1.826 collabs e 492 contas.
Para Cueva, os dados não descrevem uma simples convergência de apoiadores, mas apresentam indicadores objetivos: a reutilização dos mesmos conjuntos de coautores em mais de dois terços das publicações, a presença de dezenas de contas oficiais de candidatura, a ausência de quase todos os demais perfis na relação de endereços declarados à Justiça Eleitoral e, sobretudo, a exibição de um mesmo link encurtado nas biografias de múltiplas contas distintas.
Dimensão comercial
Os links de venda acrescentaram outra camada à investigação. Segundo a decisão, os perfis que divulgam esses endereços também veiculam propaganda dos investigados e integram o agrupamento de maior audiência da rede. A coincidência dos links entre contas apresentadas como independentes indica, na análise preliminar do ministro, divulgação articulada com destinação comercial comum.
Cueva apontou a possibilidade de os responsáveis obterem benefício econômico com vendas realizadas a partir do conteúdo eleitoral.
Medidas cautelares
O corregedor determinou que a empresa responsável pelo Instagram suspenda, em 48 horas, os links de venda indicados e preserve os registros da rede, inclusive de contas que já ficaram indisponíveis. A plataforma também deverá fornecer dados para identificar os operadores dos perfis especificados na decisão e os vínculos entre essas contas.
A Shopee terá de identificar os responsáveis pela loja Bella Chic Store e pelos links comerciais. O descumprimento de cada determinação poderá gerar multa diária de R$ 50 mil.
Flávio Bolsonaro, Alfredo Gaspar e Mario Frias terão cinco dias para apresentar defesa. Depois, o processo seguirá para a Procuradoria-Geral Eleitoral. A coligação pede a cassação dos registros de candidatura e a inelegibilidade dos investigados por oito anos, medidas que ainda dependem do julgamento da ação.
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