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23 de setembro de 2026

Assembleia Geral

Milei chama ONU de ‘inútil’ e critica inação sobre Malvinas em discurso

Presidente da Argentina atacou a organização durante pronunciamento em Nova York e acusou instituição de ser composta por 'parasitas arrogantes disfarçados de burocratas'

Por Anna Luiza Bastos Atualizado às 16:35
Milei chama ONU de 'inútil' e critica inação sobre Malvinas em discurso na Assembleia Geral
Milei chama ONU de 'inútil' e critica inação sobre Malvinas em discurso na Assembleia Geral

O presidente da Argentina, Javier Milei, fez um discurso de tom agressivo contra a Organização das Nações Unidas durante a Assembleia Geral da entidade nesta quarta-feira (23), em Nova York. O mandatário argentino utilizou o principal fórum da organização para classificá-la como “inútil” e acusar seus integrantes de formar uma casta de parasitas.

“Se transformou em uma organização inútil que só serve para alimentar uma casta de parasitas arrogantes, disfarçados de burocratas bem-intencionados”, declarou Milei, que leu um discurso impresso e ignorou o teleprompter durante o pronunciamento.

O presidente argentino direcionou críticas especialmente à atuação da ONU em relação às ilhas Malvinas, território disputado entre Argentina e Reino Unido. Segundo Milei, a organização aprovou resolução sobre o tema, mas permanece inerte diante do não cumprimento pelo governo britânico.

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“As Malvinas não são apenas uma questão entre a Argentina e o Reino Unido, mas também coloca a questão sobre a capacidade desta organização de fazer valer suas próprias resoluções”, argumentou. “De que adianta uma resolução se, durante décadas, a contraparte pode agir em sentido contrário?”

Resoluções da ONU são diretrizes manifestadas pela maioria dos países membros sobre conflitos internacionais. Para que entrem em vigor, porém, dependem do comprometimento do país alvo em cumpri-las, uma vez que a organização funciona como um acordo comum entre seus 193 membros.

A comitiva do Reino Unido permaneceu no plenário durante todo o discurso e não esboçou reação às declarações sobre as Malvinas. Na prática diplomática da Assembleia Geral, comitivas costumam se retirar do plenário quando o país discursante faz críticas diretas, como forma de condenação.

Diante do cenário que descreveu como de inação, Milei anunciou que o governo argentino “vai tomar providências” sobre a disputa territorial. “Hoje venho dizer a vocês que a Argentina não vai se sentar e esperar que a ONU e a comunidade internacional estejam à altura de seu próprio mandato. Vamos tomar providências nesse assunto”, afirmou.

O presidente argentino também criticou a atuação da ONU em outros temas. Acusou a organização de permitir “o caos, a violência e o terrorismo internacional” e de não garantir segurança coletiva e direitos humanos. Além disso, atacou represálias da entidade a Israel pelos ataques na Faixa de Gaza.

Em relação à Organização Mundial da Saúde (OMS), da qual retirou a Argentina recentemente, Milei acusou a instituição de ter promovido durante a pandemia um “experimento global de controle social disfarçado de ciência” ao recomendar medidas de quarentena.

No discurso, o mandatário reforçou ainda o alinhamento geopolítico de seu governo com Estados Unidos e Israel. “Nos alinhamos sem ambiguidades ao Ocidente. Nos alinhamos com os Estados Unidos e com Israel, países com os quais compartilhamos uma profunda afinidade de valores e uma complementaridade estratégica”, declarou.

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