Mercado
Ações de farmácias despencam até 8% após Mercado Livre entrar na venda de remédios
Plataforma começa a vender medicamentos com receita em São Paulo e pretende incluir redes parceiras no marketplace a partir de outubro
As ações das principais redes de farmácias brasileiras registraram forte queda nesta quinta-feira, 24 de setembro, após o Mercado Livre anunciar sua entrada definitiva no mercado de medicamentos com receita médica. Os papéis da Pague Menos (PGMN3) lideraram as perdas, recuando 8% e encerrando o pregão a R$ 3,45, depois de atingir queda superior a 10% durante o dia.
A RD Saúde (RADL3) fechou em baixa de 5,38%, a R$ 18,45, tornando-se a segunda maior queda do Ibovespa. Já a Panvel (PNVL3) registrou desvalorização de 4,90%, encerrando o dia a R$ 12,43.
Operação começa nesta sexta-feira
Durante a décima edição do Meli Experience, evento realizado em São Paulo, a companhia informou que a venda de medicamentos sob prescrição, incluindo antibióticos e canetas para emagrecimento como Ozempic, começará nesta sexta-feira, 25 de setembro, na capital paulista.
Continua depois da publicidade
Os consumidores deverão enviar a receita médica para análise de um farmacêutico da própria operação antes da liberação da compra. Nas regiões atendidas pela logística da empresa, as entregas poderão ocorrer em até uma hora.
Fernando Yunes, CEO do Mercado Livre no Brasil, justificou a entrada no segmento destacando a alta demanda e a taxa de conversão superior dos medicamentos em comparação com outros produtos da plataforma.
Marketplace de farmácias
Além da operação própria, a companhia pretende integrar farmácias tradicionais ao seu marketplace. O objetivo é encerrar o ano com pelo menos três redes operando no modelo 3P, no qual os parceiros vendem diretamente ao consumidor utilizando a infraestrutura digital da plataforma.
As primeiras integrações devem começar em outubro na região metropolitana de São Paulo. A identidade das redes participantes não foi divulgada.
Preparação regulatória
A estratégia do Mercado Livre no setor farmacêutico começou há cerca de um ano, com a aquisição da Farmácia Cuidamos, no bairro do Jabaquara, em São Paulo. A compra permitiu à empresa cumprir a exigência regulatória que vincula a venda online de medicamentos a uma farmácia física aberta ao público e devidamente regulamentada.
Em 2026, a companhia iniciou um projeto-piloto de venda de medicamentos sem prescrição em alguns bairros da capital paulista.
Pressão sobre o setor tradicional
A movimentação acrescenta uma nova frente de pressão sobre as redes de farmácias brasileiras, que já enfrentam a concorrência de outros canais digitais e modelos de venda direta de fabricantes.
Em setembro, a Novo Nordisk retomou a venda direta de Ozempic e Wegovy ao consumidor por meio da plataforma NovoCare Farmácia, em parceria com a AS Medicamentos. Já em agosto, a Anvisa liberou a venda de medicamentos pela Shopee.
No varejo físico, o Assaí inaugurou a primeira unidade da Assaí Farma após aprovação de lei que permitiu farmácias dentro de supermercados, com planos de abrir 25 unidades em São Paulo em 2026 e potencial para chegar a 250 no país.
Nova modalidade de entregas
Durante o evento, o Mercado Livre também anunciou uma nova modalidade de entregas com prazo de até 60 minutos, com início na cidade de São Paulo.
Participe da conversa
Acesse sua conta Mancheck para comentar.
Entrar