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24 de setembro de 2026

Mineração

Justiça Federal suspende licenças de maior produtora de lítio do Brasil

Fundação ambiental de Minas Gerais cumpre ordem judicial que paralisou operações da Sigma Mineração no Vale do Jequitinhonha após ação de federação quilombola

Por Thayce Mello Atualizado às 21:15
Justiça Federal suspende licenças de maior produtora de lítio do Brasil
Justiça Federal suspende licenças de maior produtora de lítio do Brasil

A Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais (Feam) publicou nesta quinta-feira (24) a suspensão de cinco licenças ambientais da Sigma Mineração, empresa que opera o maior projeto de extração de lítio do país. A medida atende a uma decisão liminar da Justiça Federal que determinou a paralisação das atividades no complexo Grota do Cirilo, localizado nos municípios de Itinga e Araçuaí.

A ordem judicial foi proferida em 4 de setembro pelo juiz federal Antônio Lúcio Túlio de Oliveira Barbosa, em resposta a uma ação movida pela Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais (N’Golo). A entidade questiona o processo de licenciamento ambiental e alega que o empreendimento está localizado na área de influência da Comunidade Quilombola do Baú.

As licenças suspensas abrangem operações nas cavas Norte e Sul do complexo, a área de extração conhecida como Pegmatito Barreiro e a ampliação da unidade de tratamento de minerais. As autorizações envolvem atividades de instalação, operação, lavra e processamento do minério.

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Distância em relação ao território quilombola

Um dos pontos centrais da decisão judicial diz respeito à distância entre o empreendimento e o território tradicional da Comunidade Quilombola do Baú. Segundo estudos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) mencionados na decisão, o território estaria a aproximadamente 3 quilômetros do projeto.

Essa distância é inferior ao raio de 8 quilômetros previsto em norma federal para empreendimentos com potencial de impacto sobre comunidades tradicionais. Com base nisso, o magistrado determinou, em caráter liminar, a necessidade de estudos específicos sobre o componente quilombola e a realização de consulta prévia à comunidade.

A decisão judicial também prevê medidas para esclarecer a distância efetiva entre o território quilombola e as áreas de mineração, e estabelece multa de R$ 100 mil em caso de descumprimento da ordem de paralisação.

Empresa contesta suspensão

Em nota, a Sigma Mineração contestou a suspensão publicada pela Feam. Segundo a companhia, a medida administrativa não possui validade jurídica porque a questão ainda está sendo discutida judicialmente e não há decisão definitiva sobre o caso. A empresa afirmou ter apresentado recurso contra a decisão judicial.

A Feam confirmou que a suspensão passou a valer nesta quinta-feira e informou que realiza ações regulares de fiscalização ambiental dentro de suas atribuições. O órgão declarou que não comenta processos judiciais, cujas manifestações são apresentadas pela Advocacia-Geral do Estado.

Contexto da produção de lítio em Minas

O complexo Grota do Cirilo começou a operar em 2023 e transformou o Vale do Jequitinhonha em um dos principais polos brasileiros de produção de lítio. O mineral é utilizado principalmente na fabricação de baterias de veículos elétricos e equipamentos eletrônicos.

A expansão da atividade levou o governo de Minas Gerais a batizar a região de “Vale do Lítio” e atraiu investimentos de grande porte. Ao mesmo tempo, projetos de mineração na área têm provocado discussões sobre impactos ambientais e efeitos sobre comunidades tradicionais.

A continuidade ou eventual retomada das atividades da Sigma dependerá dos próximos desdobramentos do processo judicial e do cumprimento das exigências estabelecidas na decisão liminar. Como a decisão é provisória, a Justiça ainda analisará os recursos e demais questões apresentadas no processo.

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