Economia
Prévia da inflação acelera e fecha setembro em 0,70%, impulsionada por energia elétrica
IPCA-15 superou expectativas do mercado e acumula alta de 4,47% em 12 meses. Conta de luz subiu 7,42% com o fim do Bônus de Itaipu
A prévia da inflação oficial brasileira registrou alta de 0,70% em setembro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) representa uma forte aceleração em relação a agosto, quando o indicador havia recuado 0,40%.
O avanço ficou acima das projeções do mercado financeiro, que esperavam uma variação em torno de 0,53%. Com o resultado, o índice acumula alta de 3,82% no ano e de 4,47% em 12 meses, acima dos 4,24% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores.
Conta de luz puxa alta da inflação
O principal responsável pela aceleração dos preços foi o grupo Habitação, que subiu 2,07% no mês. Dentro deste segmento, a energia elétrica residencial disparou 7,42% em setembro, revertendo a queda de 6,25% observada em agosto.
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A elevação nas tarifas ocorreu devido ao fim da incorporação do Bônus de Itaipu, uma forma de devolver aos consumidores recursos excedentes da operação da usina hidrelétrica, que proporcionava um alívio temporário nas contas de luz. Com o término desse benefício, os preços voltaram aos patamares anteriores sem desconto.
Setembro também manteve a vigência da bandeira tarifária amarela, que adiciona R$ 1,885 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos. O IBGE informou ainda que houve redução de 6,65% nas tarifas em Fortaleza a partir de 26 de agosto, devido à incorporação de recursos da repactuação do Uso de Bem Público aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica.
Outros itens do grupo Habitação também pressionaram o índice. O gás encanado subiu 0,92%, com reajustes de 10,21% em Curitiba e 1,80% no Rio de Janeiro, ambos a partir de 1º de agosto. A taxa de água e esgoto avançou 0,03%, impulsionada por aumento de 3,55% nas tarifas de Salvador desde 20 de julho.
Passagens aéreas disparam
O grupo Transportes teve a terceira maior alta do mês, com variação de 0,60%. O destaque ficou com as passagens aéreas, que subiram 9,82% em setembro.
Entre os combustíveis, a gasolina registrou alta de 0,30% e o gás veicular avançou 1,56%. Por outro lado, o óleo diesel caiu 0,78% e o etanol recuou 0,22%.
Alimentos mais caros
O grupo Alimentação e Bebidas subiu 0,40%, com alta tanto nos alimentos consumidos em casa (0,38%) quanto na alimentação fora do domicílio (0,44%).
Entre os destaques de alta nos alimentos para consumo no lar estão o tomate, com elevação de 20,76%, o arroz, com aumento de 2,39%, e as carnes, que subiram 1,30%. Em contrapartida, o feijão carioca caiu 6,33%, a cebola recuou 4,41% e o café moído registrou queda de 1,36%.
Na alimentação fora de casa, o item refeição passou de 0,25% em agosto para 0,38% em setembro, enquanto o lanche desacelerou de 0,75% para 0,44%.
Cigarro pressiona despesas pessoais
O grupo Despesas Pessoais apresentou a segunda maior variação do mês, com alta de 0,96%, influenciado pelo aumento de 14% no preço do cigarro a partir de 1º de agosto, reflexo da elevação da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados.
Todos os grupos em alta
Todos os nove grupos pesquisados pelo IPCA-15 registraram alta em setembro:
- Habitação: 2,07%
- Despesas pessoais: 0,96%
- Transportes: 0,60%
- Artigos de residência: 0,55%
- Comunicação: 0,54%
- Vestuário: 0,41%
- Alimentação e bebidas: 0,40%
- Saúde e cuidados pessoais: 0,13%
- Educação: 0,03%
O IPCA-15 difere do IPCA, que mede a inflação oficial, no período de coleta, que vai do dia 16 do mês anterior ao dia 15 do mês de referência. Por essa razão, funciona como prévia do índice oficial. O indicador pesquisa famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos em 11 regiões metropolitanas do país.
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