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28 de setembro de 2026

Geopolítica

EUA firmam acordo militar com Groenlândia para expandir presença no Ártico

Entendimento complementa tratado de 1951 e impede instalação de forças de países fora da Otan no território autônomo, em movimento voltado contra China e Rússia

Por Antônio Miranda
EUA firmam acordo militar com Groenlândia e Dinamarca para expandir presença no Ártico
EUA firmam acordo militar com Groenlândia e Dinamarca para expandir presença no Ártico

Donald Trump assinou um acordo militar envolvendo Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia que amplia a presença americana no território ártico após meses de declarações tensas sobre o controle da região. O entendimento funciona como complemento ao tratado de defesa firmado há 70 anos entre os países.

Entre as principais mudanças introduzidas pelo novo acordo estão a proibição de instalação de forças militares de países que não integram a Otan, a construção de duas novas bases americanas e a garantia de acesso militar caso a Groenlândia conquiste independência da Dinamarca.

Segundo análise de especialistas, as restrições impostas a nações fora da aliança militar ocidental são claramente dirigidas à China e à Rússia, em um contexto de crescente disputa geopolítica pela região ártica.

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Presença militar modesta

Apesar de Trump ter afirmado no dia 18 deste mês que os Estados Unidos estabeleceriam “imediatamente” uma “grande presença militar” na ilha, especialistas avaliam que o contingente adicional será modesto. Mark Cancian, consultor sênior do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, estima um acréscimo inferior a 50 militares.

As Forças Armadas americanas já mantêm presença reduzida na base de Pituffik há décadas. As duas novas instalações serão estabelecidas em Narsarsuaq e Mestersvig, locais que exigirão investimentos significativos em infraestrutura para acomodar pessoal e proteger equipamentos das condições climáticas extremas.

Sistema antimísseis e rotas comerciais

O acordo faz referência ao sistema de defesa antimísseis “Domo de Ouro”, planejado por Trump, embora a implementação desse programa ainda leve anos para se concretizar.

A atenção crescente sobre o Ártico está relacionada ao derretimento das camadas de gelo, que cria novas rotas navegáveis com potencial para transformar o comércio global. A movimentação de diversas nações na região tem intensificado as preocupações sobre segurança e soberania.

Mark Rutte, secretário-geral da Otan, declarou em redes sociais que é “ótimo ver o acordo assinado” e afirmou que uma maior segurança no Ártico e no Atlântico Norte é essencial tanto para a Europa quanto para a América do Norte.

Iris Ferguson, ex-subsecretária adjunta de Defesa para o Ártico na administração anterior, avaliou que o acordo “aponta na direção certa para o avanço de objetivos comuns”, apesar do ambiente político desafiador criado pelas tensões em torno da questão.

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