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30 de setembro de 2026

Patrimônio Cultural

PF realiza operação no Rio para apreender pintura peruana do século XVII

Obra vice-reinal integra patrimônio cultural do Peru e teria entrado no Brasil sem autorização; mandado de busca foi cumprido no bairro Alto da Boa Vista

Por Anna Luiza Bastos Atualizado às 11:28
PF realiza operação no Rio para apreender pintura peruana do século XVII
PF realiza operação no Rio para apreender pintura peruana do século XVII

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (30) a Operação Peabiru para investigar a entrada e a possível comercialização irregular, no Brasil, de uma pintura peruana do século XVII. A obra é reconhecida pelas autoridades do Peru como integrante do Patrimônio Cultural da Nação.

Um mandado de busca e apreensão foi cumprido no bairro do Alto da Boa Vista, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Os agentes procuram localizar a pintura e recolher documentos e equipamentos que possam ajudar a esclarecer como ela saiu do Peru, chegou ao Brasil e foi colocada à venda.

A investigação começou após a Polícia Nacional do Peru comunicar às autoridades brasileiras que a obra havia sido anunciada em uma plataforma internacional especializada na comercialização de peças de arte e antiguidades.

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Obra pertence à tradição da Escola Cusquenha

A pintura é identificada como “Magnífico Señor de los Temblores – Escuela Cusqueña, Siglo XVII”. Uma análise técnica realizada pelo Ministério da Cultura do Peru classificou o trabalho como uma obra da pintura vice-reinal peruana do século XVII, com relevância histórica e artística.

A peça representa o Señor de los Temblores, uma das tradicionais representações religiosas da região de Cusco. Obras associadas à pintura colonial andina, especialmente à Escola Cusquenha, fazem parte de um importante patrimônio artístico produzido durante o período vice-reinal.

Segundo as autoridades peruanas, a obra não poderia ter deixado o território do país sem uma autorização específica do Estado.

PF identificou ligação com empresa do Rio

Durante as diligências preliminares, os investigadores encontraram elementos que relacionam a pintura anunciada internacionalmente a uma empresa sediada no Rio de Janeiro que atua no comércio de obras de arte e antiguidades.

Além da localização da peça, a operação busca documentos relacionados à aquisição, procedência, transporte, importação, oferta e eventual comercialização do quadro. Computadores, celulares e outros dispositivos eletrônicos também estão entre os materiais que podem ser apreendidos para análise.

A PF investiga, em tese, os crimes de receptação qualificada e contrabando, sem prejuízo da apuração de outras possíveis infrações. Até o momento, a operação não representa uma conclusão sobre eventual responsabilidade criminal dos investigados.

Cooperação entre Brasil e Peru

A operação faz parte da cooperação entre as autoridades brasileiras e peruanas para combater o tráfico internacional de bens culturais e recuperar objetos considerados patrimônio histórico e artístico.

O caso também envolve uma tentativa de reconstruir a trajetória da pintura desde sua origem até a chegada ao Brasil. Caso seja comprovada a saída irregular do Peru, a obra poderá ser objeto de medidas para seu retorno ao país de origem.

Por que a operação se chama Peabiru?

O nome da operação faz referência ao Caminho do Peabiru, uma antiga rede de trilhas indígenas que conectava diferentes regiões da América do Sul e estabelecia caminhos entre áreas do atual território brasileiro e regiões próximas aos Andes.

Segundo a PF, a escolha do nome representa a ligação histórica entre o Brasil e a região andina. Também faz referência, em sentido inverso, ao percurso que a obra teria realizado e ao trabalho conjunto das autoridades para reconstruir sua trajetória e, eventualmente, viabilizar seu retorno ao patrimônio cultural peruano.

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