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19 de setembro de 2026

Pesquisa Datafolha

Desconfiança no STF atinge recorde de 48%, aponta Datafolha

Pesquisa mostra que Supremo registra maior índice de desconfiança desde 2012, enquanto Congresso e partidos também enfrentam rejeição de 45%

Por Ana Beatriz Ramos
STF

O Supremo Tribunal Federal registrou o maior índice de desconfiança desde o início da série histórica do Datafolha, em 2012. Segundo pesquisa divulgada nesta sexta-feira (18), 48% dos eleitores brasileiros afirmam não confiar na Corte, um aumento de cinco pontos percentuais em relação a março, quando o índice era de 43%.

A proporção coloca o STF numericamente no topo do ranking de desconfiança entre as instituições avaliadas pelo instituto. Apenas 14% dos entrevistados dizem confiar muito no Supremo, enquanto 35% afirmam confiar um pouco.

O Congresso Nacional aparece em patamar próximo, com 45% de desconfiança — mesmo percentual registrado em março. Outros 43% confiam um pouco nos parlamentares e 11% confiam muito na instituição.

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Os partidos políticos também registram 45% de desconfiança, mas o índice representa queda de sete pontos em relação à pesquisa anterior, quando estava em 52%. O percentual está distante do recorde de 69%, alcançado em junho de 2017.

A Presidência da República apresenta 42% de desconfiança, uma leve queda de um ponto percentual desde março. A confiança aumentou: 25% confiam muito no Executivo e 32% confiam um pouco, contra 22% e 34%, respectivamente, na pesquisa anterior.

Confiança em outras instituições

Entre as demais instituições avaliadas, as Forças Armadas lideram em confiança, com 34% de muita confiança e 39% de pouca confiança, totalizando 73%. A desconfiança nas Forças é de 25%.

As grandes empresas brasileiras têm 29% de muita confiança e 46% de pouca confiança, com 23% de desconfiança. O Poder Judiciário como um todo registra 38% de desconfiança, enquanto a imprensa tem 33%.

Contexto da pesquisa

O levantamento foi realizado em meio a uma crise interna no STF, intensificada após o ministro André Mendonça levantar o sigilo de um relatório da Polícia Federal sobre mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes.

Desde então, outros documentos vieram a público, alguns ainda sob sigilo, com citações a integrantes da Corte e seus familiares. Moraes e Gilmar Mendes criticam a condução de Mendonça no caso, acusando-o de irregularidades e motivação político-eleitoral, o que o ministro nega.

Na terça-feira (15), uma sessão extraordinária convocada pelo presidente do STF, Edson Fachin, terminou sem decisão após o ministro Flávio Dino pedir vista do processo, adiando a discussão por até 90 dias.

A pesquisa, encomendada pela Globo e pela Folha de S.Paulo, ouviu 2.002 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 15 e 16 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.

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