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21 de setembro de 2026

STF

Prazo para André Mendonça responder acusações de Moraes termina hoje

Presidente do STF, Edson Fachin, aguarda manifestação do ministro sobre suspeitas de irregularidades em investigações do Banco Master e fraudes no INSS

Por Ana Beatriz Ramos Atualizado às 12:39
Prazo para Mendonça responder acusações de Moraes termina hoje
Prazo para Mendonça responder acusações de Moraes termina hoje

Termina nesta segunda-feira (21) o prazo estabelecido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, para que o ministro André Mendonça se manifeste sobre acusações apresentadas por Alexandre de Moraes relacionadas à condução de investigações envolvendo o Banco Master e fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Fachin concedeu inicialmente cinco dias úteis para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e, na sequência, outros cinco dias para que Mendonça apresentasse sua resposta.

Com o encerramento do prazo, o procedimento retorna à Presidência do STF para definição dos próximos passos.

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Ao determinar as diligências, Fachin ressaltou que as medidas possuem caráter preliminar e não representam qualquer conclusão sobre a procedência das acusações apresentadas contra Mendonça.

Moraes apresentou acusações à Presidência do STF

O procedimento teve origem após Alexandre de Moraes encaminhar à Presidência do Supremo documentos relacionados à atuação de Mendonça em investigações envolvendo o Banco Master e as fraudes previdenciárias.

Moraes apontou suspeitas sobre determinadas condutas adotadas pelo colega na condução dos casos.

Segundo as alegações apresentadas pelo ministro, os fatos poderiam, em tese, envolver situações relacionadas a abuso de autoridade, improbidade administrativa, crime de responsabilidade e eventual favorecimento político.

As acusações ainda estão sendo analisadas e não representam uma conclusão do STF de que Mendonça tenha cometido qualquer irregularidade.

Relatório da PF tem ressalva sobre valor probatório

Parte das acusações está relacionada a informações presentes em relatório de inteligência da Polícia Federal.

Há, entretanto, uma ressalva importante sobre esse documento.

Segundo informações divulgadas sobre o material, o próprio relatório o caracteriza como uma análise de cenário e registra que seu conteúdo não possui valor probatório.

Isso significa que as informações podem servir para orientar análises e diligências, mas não devem ser tratadas isoladamente como prova conclusiva das suspeitas apresentadas.

O procedimento envolvendo Mendonça passou a tramitar separadamente, sob responsabilidade da Presidência do Supremo.

Mendonça nega irregularidades

André Mendonça já negou ter cometido irregularidades na condução das investigações.

O ministro também se manifestou sobre decisões tomadas no âmbito do caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e defendeu a regularidade de sua atuação.

A manifestação apresentada dentro do prazo concedido por Fachin poderá abordar tanto o conteúdo das acusações quanto questões processuais relacionadas ao procedimento.

Discussão envolve celular de Daniel Vorcaro

O caso ocorre em meio a outra discussão dentro do Supremo relacionada às informações encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

O aparelho foi apreendido pela Polícia Federal durante as investigações sobre o Banco Master.

Dados extraídos do dispositivo revelaram interlocuções de Vorcaro com diferentes autoridades e passaram a integrar relatórios produzidos pela corporação.

Mendonça, responsável por decisões relacionadas à investigação, determinou que a Polícia Federal identificasse interlocutores mencionados no material.

Parte dessas informações também passou a envolver Alexandre de Moraes, que contesta conclusões e interpretações apresentadas sobre suas conversas com Vorcaro e nega ter favorecido o banqueiro ou o Banco Master.

Ministros discutem se casos devem ser reunidos

A controvérsia chegou ao plenário do STF na semana passada.

Durante a sessão, Gilmar Mendes apresentou uma questão de ordem defendendo que os procedimentos relacionados a Moraes e Mendonça sejam reunidos e redistribuídos para um novo relator.

A proposta também envolve a identificação de magistrados eventualmente mencionados nas investigações sobre o Banco Master quando existirem indícios que justifiquem aprofundamento das apurações.

Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram pela manutenção dos procedimentos separados.

Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes votaram pela reunião.

O placar provisório ficou, portanto, em 4 a 3 pela análise separada dos casos.

Flávio Dino também manifestou posição favorável à reunião dos procedimentos, mas pediu vista e solicitou que seu posicionamento não fosse contabilizado no placar provisório.

Com o pedido de vista, a discussão foi interrompida antes de uma decisão definitiva.

Definição pode mudar o andamento do caso

O resultado dessa discussão poderá interferir diretamente no procedimento envolvendo Mendonça.

Caso prevaleça a proposta de Gilmar Mendes, os casos poderão ser reunidos e redistribuídos, modificando a forma como as apurações vêm sendo conduzidas.

Se prevalecer o entendimento contrário, os procedimentos deverão continuar separados.

A decisão ainda depende da retomada do julgamento depois do pedido de vista de Flávio Dino.

Fachin retira julgamento do dia 23 da pauta

A Presidência do Supremo havia reservado o dia 23 de setembro para analisar o procedimento relacionado às acusações contra Mendonça.

Fachin, entretanto, retirou o julgamento da pauta.

A decisão ocorreu diante da relação entre esse procedimento e a questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes, que ainda aguarda definição do plenário.

Uma nova data poderá ser estabelecida posteriormente.

Com o fim do prazo concedido a Mendonça nesta segunda-feira, caberá agora à Presidência do STF avaliar a manifestação apresentada e os desdobramentos da discussão entre os ministros antes de definir o próximo passo do procedimento.

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