STF
Prazo para André Mendonça responder acusações de Moraes termina hoje
Presidente do STF, Edson Fachin, aguarda manifestação do ministro sobre suspeitas de irregularidades em investigações do Banco Master e fraudes no INSS
Termina nesta segunda-feira (21) o prazo estabelecido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, para que o ministro André Mendonça se manifeste sobre acusações apresentadas por Alexandre de Moraes relacionadas à condução de investigações envolvendo o Banco Master e fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Fachin concedeu inicialmente cinco dias úteis para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e, na sequência, outros cinco dias para que Mendonça apresentasse sua resposta.
Com o encerramento do prazo, o procedimento retorna à Presidência do STF para definição dos próximos passos.
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Ao determinar as diligências, Fachin ressaltou que as medidas possuem caráter preliminar e não representam qualquer conclusão sobre a procedência das acusações apresentadas contra Mendonça.
Moraes apresentou acusações à Presidência do STF
O procedimento teve origem após Alexandre de Moraes encaminhar à Presidência do Supremo documentos relacionados à atuação de Mendonça em investigações envolvendo o Banco Master e as fraudes previdenciárias.
Moraes apontou suspeitas sobre determinadas condutas adotadas pelo colega na condução dos casos.
Segundo as alegações apresentadas pelo ministro, os fatos poderiam, em tese, envolver situações relacionadas a abuso de autoridade, improbidade administrativa, crime de responsabilidade e eventual favorecimento político.
As acusações ainda estão sendo analisadas e não representam uma conclusão do STF de que Mendonça tenha cometido qualquer irregularidade.
Relatório da PF tem ressalva sobre valor probatório
Parte das acusações está relacionada a informações presentes em relatório de inteligência da Polícia Federal.
Há, entretanto, uma ressalva importante sobre esse documento.
Segundo informações divulgadas sobre o material, o próprio relatório o caracteriza como uma análise de cenário e registra que seu conteúdo não possui valor probatório.
Isso significa que as informações podem servir para orientar análises e diligências, mas não devem ser tratadas isoladamente como prova conclusiva das suspeitas apresentadas.
O procedimento envolvendo Mendonça passou a tramitar separadamente, sob responsabilidade da Presidência do Supremo.
Mendonça nega irregularidades
André Mendonça já negou ter cometido irregularidades na condução das investigações.
O ministro também se manifestou sobre decisões tomadas no âmbito do caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e defendeu a regularidade de sua atuação.
A manifestação apresentada dentro do prazo concedido por Fachin poderá abordar tanto o conteúdo das acusações quanto questões processuais relacionadas ao procedimento.
Discussão envolve celular de Daniel Vorcaro
O caso ocorre em meio a outra discussão dentro do Supremo relacionada às informações encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O aparelho foi apreendido pela Polícia Federal durante as investigações sobre o Banco Master.
Dados extraídos do dispositivo revelaram interlocuções de Vorcaro com diferentes autoridades e passaram a integrar relatórios produzidos pela corporação.
Mendonça, responsável por decisões relacionadas à investigação, determinou que a Polícia Federal identificasse interlocutores mencionados no material.
Parte dessas informações também passou a envolver Alexandre de Moraes, que contesta conclusões e interpretações apresentadas sobre suas conversas com Vorcaro e nega ter favorecido o banqueiro ou o Banco Master.
Ministros discutem se casos devem ser reunidos
A controvérsia chegou ao plenário do STF na semana passada.
Durante a sessão, Gilmar Mendes apresentou uma questão de ordem defendendo que os procedimentos relacionados a Moraes e Mendonça sejam reunidos e redistribuídos para um novo relator.
A proposta também envolve a identificação de magistrados eventualmente mencionados nas investigações sobre o Banco Master quando existirem indícios que justifiquem aprofundamento das apurações.
Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram pela manutenção dos procedimentos separados.
Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes votaram pela reunião.
O placar provisório ficou, portanto, em 4 a 3 pela análise separada dos casos.
Flávio Dino também manifestou posição favorável à reunião dos procedimentos, mas pediu vista e solicitou que seu posicionamento não fosse contabilizado no placar provisório.
Com o pedido de vista, a discussão foi interrompida antes de uma decisão definitiva.
Definição pode mudar o andamento do caso
O resultado dessa discussão poderá interferir diretamente no procedimento envolvendo Mendonça.
Caso prevaleça a proposta de Gilmar Mendes, os casos poderão ser reunidos e redistribuídos, modificando a forma como as apurações vêm sendo conduzidas.
Se prevalecer o entendimento contrário, os procedimentos deverão continuar separados.
A decisão ainda depende da retomada do julgamento depois do pedido de vista de Flávio Dino.
Fachin retira julgamento do dia 23 da pauta
A Presidência do Supremo havia reservado o dia 23 de setembro para analisar o procedimento relacionado às acusações contra Mendonça.

Fachin, entretanto, retirou o julgamento da pauta.
A decisão ocorreu diante da relação entre esse procedimento e a questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes, que ainda aguarda definição do plenário.
Uma nova data poderá ser estabelecida posteriormente.
Com o fim do prazo concedido a Mendonça nesta segunda-feira, caberá agora à Presidência do STF avaliar a manifestação apresentada e os desdobramentos da discussão entre os ministros antes de definir o próximo passo do procedimento.
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