Política
Bolsa Família sobe para R$ 691: veja quando começa o pagamento e quanto cada família poderá receber
Reajuste de 15,04% também aumenta adicionais destinados a crianças, adolescentes, gestantes e nutrizes; primeiros pagamentos com os novos valores começam em 19 de outubro
O Bolsa Família terá novos valores a partir de outubro. O governo federal reajustou em 15,04% os benefícios do programa, elevando o pagamento mínimo garantido por família dos atuais R$ 600 para R$ 691.
A atualização não ficará restrita ao piso. Os valores adicionais destinados a crianças, adolescentes, gestantes e mães de bebês também serão corrigidos.
Segundo o governo, o benefício médio deverá passar de aproximadamente R$ 675 para R$ 777 mensais.
Continua depois da publicidade
O decreto que oficializou a mudança foi publicado nesta quinta-feira (17), e os primeiros pagamentos com os novos valores estão previstos para 19 de outubro.
Entenda abaixo o que muda.
Quanto vou receber com o novo Bolsa Família?
Não existe um único valor que será pago igualmente para todos.
Os R$ 691 representam o mínimo garantido por família. O pagamento efetivamente recebido dependerá da quantidade de integrantes e da composição de cada núcleo familiar.
O programa possui diferentes benefícios e adicionais que são somados para chegar ao pagamento final.
Por isso, famílias com crianças pequenas, adolescentes, gestantes ou bebês podem receber valores superiores ao piso.
Quais serão os novos valores?
Com o reajuste, o Benefício de Renda de Cidadania, utilizado como base para o cálculo do programa, passa de R$ 142 para R$ 164 por integrante da família.
O Benefício Primeira Infância, destinado a crianças de zero a sete anos incompletos, sobe de R$ 150 para R$ 173 por criança.
Já o Benefício Variável Familiar passa dos atuais R$ 50 para R$ 58.
Esse adicional é destinado a gestantes, nutrizes e crianças e adolescentes de sete a 18 anos incompletos.
Caso a soma dos benefícios calculados para determinada família fique abaixo de R$ 691, entra em ação o Benefício Complementar, responsável por completar a diferença até alcançar o piso.
Quando começa o pagamento?
Os novos valores serão considerados na folha de outubro.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, os pagamentos reajustados começarão a ser disponibilizados em 19 de outubro, seguindo o calendário regular do Bolsa Família.
O dia exato em que cada beneficiário receberá continuará dependendo do último número do NIS.
Os pagamentos de setembro ainda seguem os valores anteriores.
Preciso solicitar o reajuste?
Não.
Quem já recebe regularmente o Bolsa Família não precisa realizar um novo cadastro ou fazer qualquer solicitação para ter acesso aos valores corrigidos.
A atualização será aplicada automaticamente pelo governo na folha de outubro.
O valor final será calculado de acordo com as informações da família existentes no Cadastro Único.
Por isso, continua sendo importante manter os dados cadastrais atualizados.
Por que o governo aumentou o Bolsa Família?
Segundo o governo federal, o reajuste busca recuperar o poder de compra perdido para a inflação desde a implantação da atual estrutura do programa, em março de 2023.
O índice utilizado foi o INPC, que acumulou 15,04% entre março de 2023 e agosto de 2026.
Esta é a primeira atualização dos valores pela inflação desde a retomada do atual modelo do Bolsa Família.
A legislação que instituiu o programa autoriza o Poder Executivo a alterar os valores dos benefícios e prevê correções periódicas.
O aumento será de exatamente 15,04% para todos?
Os componentes do programa foram atualizados com base nesse percentual, mas os valores finais foram definidos em reais.
Por isso, o pagamento de cada família dependerá de sua composição.
Uma família que recebe apenas o valor mínimo passará a ter a garantia de pelo menos R$ 691.
Já famílias que acumulam adicionais podem superar esse valor.
O governo estima que, considerando todas essas situações, o benefício médio passará de aproximadamente R$ 675 para R$ 777.
Quem tem direito ao Bolsa Família?
A principal regra de entrada permanece a mesma.
A família precisa estar inscrita no Cadastro Único e possuir renda mensal de até R$ 218 por pessoa.
Estar dentro desse limite de renda, entretanto, não significa necessariamente que o benefício será liberado imediatamente. A entrada no programa depende dos procedimentos de análise e seleção realizados pelo governo.
Também existem compromissos relacionados à educação e à saúde, como acompanhamento da frequência escolar, vacinação das crianças e acompanhamento pré-natal das gestantes.
Quanto o reajuste vai custar?
O aumento terá impacto relevante nas despesas públicas.
Segundo o Ministério do Planejamento, o custo adicional estimado para 2026 é de aproximadamente R$ 5,8 bilhões.
Como em 2027 os valores corrigidos valerão durante todo o ano, o impacto adicional deverá ficar em torno de R$ 22 bilhões a R$ 22,7 bilhões, conforme as estimativas divulgadas pelo governo e reportadas pelos veículos consultados.
O governo afirma que o aumento será acomodado dentro das regras fiscais e que fará os ajustes necessários no planejamento orçamentário.
Por que o reajuste virou discussão eleitoral?
O anúncio ocorreu em 17 de setembro, a 17 dias do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro.
Adversários políticos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva questionaram o momento escolhido para realizar a atualização.
O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) apresentou uma representação ao Tribunal Superior Eleitoral pedindo que o reajuste fosse suspenso. Ele argumentou que a medida poderia interferir na igualdade de condições da disputa presidencial.
O processo ficou sob responsabilidade do ministro André Mendonça.
Mendonça, porém, rejeitou a representação ainda na quinta-feira. O ministro não analisou se o reajuste é ou não permitido pela legislação eleitoral. A ação foi encerrada porque, segundo sua decisão, Zé Trovão não tinha legitimidade para apresentar aquele tipo de questionamento relacionado à eleição presidencial.
O assunto acabou no TSE?
Não.
O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) também apresentou uma representação ao Tribunal Superior Eleitoral contra o reajuste.
Ele pediu a suspensão dos efeitos do decreto até depois das eleições, argumentando que a medida poderia afetar a igualdade entre os candidatos.
O governo, por outro lado, sustenta que a atualização é legal porque o Bolsa Família é um programa já existente, previsto em lei e em execução, e que o aumento corresponde à recomposição inflacionária dos benefícios.
A discussão jurídica, portanto, ainda pode continuar na Justiça Eleitoral.
O reajuste já está valendo?
O decreto já foi publicado e está em vigor.
Os efeitos financeiros, porém, começam em outubro.
Até que exista eventual decisão judicial que determine algo diferente, o cronograma oficial prevê que os beneficiários comecem a receber os novos valores a partir de 19 de outubro.
Assim, para quem recebe o Bolsa Família, as principais mudanças práticas são três: o piso sobe para R$ 691, os adicionais também aumentam e não será necessário fazer nenhum pedido para receber a atualização.
- Lula afirma que agronegócio deveria 'se ajoelhar' por recursos do governo
- Lula diz que Flávio Bolsonaro quer vencer eleição para soltar Jair Bolsonaro da prisão
- Abin classifica como 'crítico' risco de interferência dos EUA nas eleições de 2026 no Brasil
- Flávio orienta aliados a evitar declarações na reta final
Participe da conversa
Acesse sua conta Mancheck para comentar.
Entrar