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24 de setembro de 2026

Eleições 2026

Campanhas intensificam disputa por voto útil a dez dias do primeiro turno

Pesquisas mostram concentração da corrida presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro, que juntos ultrapassam 89% das intenções de voto

Por Anna Luiza Bastos Atualizado às 08:29
Campanhas intensificam disputa por voto útil a dez dias do primeiro turno

A dez dias do primeiro turno das eleições presidenciais, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) intensificaram estratégias para capturar o chamado voto útil, movimento em que eleitores abandonam candidatos com menos chances para concentrar votos nos dois líderes da disputa.

Pesquisas recentes apontam crescimento simultâneo dos dois principais candidatos e redução dos demais concorrentes. Levantamento da AtlasIntel/Bloomberg divulgado na quarta-feira (23) registrou Lula com 45,8% das intenções de voto, ante 44,1% na rodada anterior, enquanto Flávio subiu de 41,7% para 43,4%. Ambos avançaram 1,7 ponto percentual.

A soma dos dois candidatos passou de 85,8% para 89,2% das intenções de voto. No mesmo período, Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) registraram oscilação numérica para baixo.

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Outro levantamento, da Real Time Big Data divulgado nesta quinta-feira (24), mostra cenário distinto: Lula aparece com 41% no primeiro turno contra 37% de Flávio. Em simulação de segundo turno, o instituto registra empate técnico, com o candidato do PL em 45% e o petista com 44%.

Ofensiva explícita da direita

A campanha de Flávio Bolsonaro adotou discurso direto pela captura de eleitores da direita e centro-direita. Na quarta-feira (23), o candidato organizou transmissão ao vivo no YouTube com aliados pedindo explicitamente votos de quem hoje apoia outros nomes.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), participou da transmissão defendendo concentração de votos em Flávio e pedindo pragmatismo ao eleitorado. A senadora Tereza Cristina (PP-MS), o senador Rogério Marinho (PL-RN) e Daniella Marques, responsável pelo programa econômico do candidato, também fizeram apelos pelo voto útil no primeiro turno.

Recorte do Datafolha divulgado na quarta-feira indica onde o PL enxerga potencial de crescimento: entre eleitores de Cury, Caiado, Renan Santos e Zema, 43% escolheriam Flávio em eventual segundo turno contra Lula, enquanto 30% ficariam com o petista e 26% votariam em branco, nulo ou em nenhum dos dois. A vantagem é maior entre apoiadores de Zema e Renan Santos; entre os de Caiado e Cury, a diferença está dentro da margem de erro.

PT foca mobilização de base

O PT reforçou nesta semana estratégia de fidelização e mobilização de segmentos onde Lula já possui maior apoio. O presidente ampliou atos de rua e presença nos estados, com agendas no Rio de Janeiro, Alagoas e Pernambuco.

Em São Paulo, a campanha inaugurou espaço para recrutamento de voluntários. A prioridade recai sobre eleitores de menor renda, considerados mais suscetíveis à abstenção. O objetivo declarado é preservar a base consolidada e aumentar o comparecimento desse eleitorado no primeiro turno.

O voto útil é fenômeno comum em retas finais de eleições polarizadas, quando pesquisas delimitam quem tem chances reais de vitória. Trata-se da escolha estratégica de votar em candidato viável para barrar adversário ou tentar definir o pleito já no primeiro turno, mesmo que não seja a opção preferida do eleitor.

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