Eleições 2026
Dino derruba decisão de Mendonça e libera publicação de Tabet sobre Nossa Sra. Aparecida
Ministro do STF determinou o restabelecimento de postagem removida por ordem do TSE; decisão anterior havia considerado falsa a informação de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar o título de Padroeira do Brasil
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou neste domingo (27) uma decisão do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que havia determinado a remoção de uma publicação do ator e humorista Antonio Tabet envolvendo Nossa Senhora Aparecida.
Com a decisão, Dino determinou que a postagem seja restabelecida. Outras publicações retiradas pelo mesmo fundamento também poderão ser alcançadas pela determinação.
A publicação de Tabet mostrava uma imagem de Nossa Senhora Aparecida acompanhada de uma frase que relacionava uma “família miliciana” a um suposto ataque à santa.
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O conteúdo surgiu em meio à circulação de uma informação falsa nas redes sociais segundo a qual Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil caso fosse eleito.
Flávio negou publicamente ter qualquer intenção de adotar a medida.
Mendonça havia determinado retirada das publicações
Na sexta-feira (25), André Mendonça determinou que plataformas digitais retirassem conteúdos que associassem Flávio Bolsonaro ou integrantes de sua família à intenção de retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.
Na decisão, Mendonça classificou a afirmação como “notoriamente inverídica”.
A determinação abrangia 1.170 links e estabelecia multa diária de R$ 50 mil para Facebook, Instagram, TikTok, YouTube e X em caso de descumprimento.
No caso específico de Tabet, Mendonça também havia proibido a republicação do conteúdo ou de narrativa equivalente.
Tabet recorreu ao Supremo
Após a remoção, Antonio Tabet recorreu ao STF.
A defesa argumentou que a publicação tinha caráter satírico e político e destacou que o texto não mencionava nominalmente Flávio Bolsonaro. Também sustentou que a retirada representava restrição indevida à liberdade de expressão.
Ao analisar o pedido, Dino entendeu que intervenções do Estado sobre a divulgação de opiniões devem ocorrer de maneira excepcional, especialmente durante o período eleitoral.
Segundo o ministro, decisões que restringem manifestações durante uma eleição podem produzir efeitos irreversíveis devido à própria duração do calendário eleitoral.
Dino questiona associação direta da frase a Flávio
Um dos argumentos apresentados por Dino foi a ausência do nome de Flávio Bolsonaro na postagem de Tabet.
Para o ministro, considerar o conteúdo ilegal exigiria primeiro concluir que a expressão “família miliciana”, utilizada pelo humorista, se referia especificamente ao candidato.
Dino também relacionou sua decisão à proteção da liberdade religiosa e ao direito de cidadãos participarem do debate público sobre temas envolvendo suas crenças.
Com esses argumentos, o ministro cassou a decisão de Mendonça em relação à publicação questionada e determinou que as plataformas fossem comunicadas para restabelecer o conteúdo.
Tabet republicou conteúdo
Após a decisão do STF, Antonio Tabet voltou a publicar o conteúdo neste domingo.
A republicação ocorreu horas depois da decisão de Dino.
Campanha de Flávio critica decisão
A campanha de Flávio Bolsonaro reagiu à decisão e questionou a competência do STF para derrubar uma determinação adotada no âmbito da Justiça Eleitoral.
Em nota, a equipe jurídica do candidato acusou Dino de interferir em matéria que deveria permanecer sob competência do TSE. A afirmação representa a posição da campanha e não uma conclusão judicial sobre a competência do ministro.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, também criticou a decisão e acusou Dino de agir para favorecer Lula. A acusação foi feita pelo senador, sem que tenha sido apresentada evidência independente que demonstre essa finalidade.
A controvérsia ocorre a uma semana do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro.
A informação de que Flávio Bolsonaro teria anunciado a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil é falsa. A decisão de Dino tratou especificamente da possibilidade de remoção da publicação de Tabet, considerando aspectos como liberdade de expressão, sátira política e o fato de o conteúdo não mencionar nominalmente o candidato.
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