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30 de setembro de 2026

Oriente Médio

EUA concluem retirada de tropas do Iraque após mais de 20 anos

Saída das últimas forças americanas marca o fim de operação militar iniciada com invasão em 2003 que derrubou Saddam Hussein

Por Anna Luiza Bastos Atualizado às 10:12

Os Estados Unidos concluíram nesta quarta-feira (30) a retirada de suas últimas tropas do Iraque, encerrando mais de duas décadas de presença militar no país. A saída dos militares e equipamentos da base aérea de Erbil, na região do Curdistão iraquiano, marcou o fim da missão americana de combate ao Estado Islâmico (EI) no território iraquiano.

A presença militar americana no Iraque começou com a invasão de 2003, que derrubou o então presidente Saddam Hussein. O conflito foi seguido por anos de insurgência, violência sectária e instabilidade política.

As forças americanas deixaram o país em 2011, mas retornaram três anos depois, quando o Estado Islâmico conquistou extensas áreas do Iraque e da Síria. A partir de 2014, a missão passou a ser concentrada no combate ao grupo extremista e no treinamento e apoio às forças de segurança iraquianas.

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Fim da Operação Inherent Resolve

A retirada encerra no Iraque a Operação Inherent Resolve, criada em 2014 para combater o Estado Islâmico. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, a força conjunta responsável pela operação continuará funcionando, mas sua sede foi transferida para a Jordânia, enquanto militares americanos seguem participando da campanha contra o EI na Síria.

Washington e Bagdá haviam acertado em 2024 um cronograma para o encerramento da missão da coalizão internacional no Iraque. A maior parte das tropas americanas já havia deixado outras bases iraquianas anteriormente, permanecendo um contingente na região curda até o prazo final de 30 de setembro.

Retirada ocorre em meio à tensão com o Irã

O encerramento da missão acontece em um momento de forte tensão regional envolvendo Estados Unidos e Irã. O Iraque tem sido um dos principais pontos de disputa entre Washington e grupos armados apoiados por Teerã.

A saída americana é comemorada por grupos ligados ao Irã como uma vitória e como um avanço da soberania iraquiana. Ao mesmo tempo, autoridades e analistas alertam para os possíveis efeitos da redução da presença militar americana, especialmente sobre a capacidade de resposta a ataques e sobre o equilíbrio entre o governo iraquiano e as milícias que atuam no país.

Preocupação com o Estado Islâmico

Apesar da derrota territorial do Estado Islâmico, o grupo ainda mantém células clandestinas no Iraque. A retirada dos militares americanos reduz o apoio direto de Washington em áreas como inteligência, treinamento e logística, embora a cooperação entre os dois países não tenha sido encerrada.

Especialistas ouvidos pela imprensa internacional apontam que a capacidade das forças iraquianas de assumir integralmente a responsabilidade pela segurança será um dos principais desafios da nova fase. A preocupação é maior em regiões onde milícias mantêm estruturas armadas independentes do governo.

Nova relação entre Washington e Bagdá

Com o fim da presença militar, Estados Unidos e Iraque devem passar a concentrar a relação bilateral em uma estrutura de cooperação de defesa menos baseada em tropas americanas no território iraquiano.

O governo de Bagdá apresenta a retirada como um marco de soberania nacional. Para Washington, a mudança representa a transição de uma missão militar multinacional para uma relação bilateral de defesa, com possibilidade de continuidade de cooperação em treinamento, inteligência e outras áreas de segurança.

A retirada, portanto, não significa o encerramento das relações entre os dois países, mas o fim de uma presença militar americana direta que começou com a invasão de 2003 e atravessou diferentes fases da história recente do Iraque.

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