Futebol
Governo marca reunião com clubes após reação à proibição das bets
Ministro do Esporte diz que vai ouvir demandas dos times, que receberam R$ 1,1 bilhão em patrocínios de apostas em 2025. Proibição vale a partir de outubro.
O governo federal agendou para a próxima semana uma reunião com representantes de clubes de futebol para discutir os impactos da proibição das bets no país. O encontro está sendo articulado pelo ministro do Esporte, Paulo Henrique Perna Cordeiro, após reação negativa dos times à medida.
Segundo o ministro, o objetivo é ouvir as demandas dos clubes e avaliar formas de evitar prejuízos. Ele afirmou, porém, que “o futebol sempre viveu sem as bets”.
De acordo com levantamento da Sports Value, os 20 clubes de maior receita do país receberam R$ 1,143 bilhão em patrocínios de empresas de apostas em 2025.
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Clubes se manifestam contra a medida
Grandes times do futebol brasileiro se posicionaram publicamente contra a proibição. O Flamengo, que recebe R$ 268,5 milhões por temporada de um site de apostas, defendeu que não se pode criar uma regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos e mudar o marco regulatório de forma abrupta.
O Fluminense, que tem contrato de R$ 52 milhões com empresa do setor, pediu um período de transição adequado.
Prazos e criminalização
A Medida Provisória que proíbe sites e aplicativos de apostas de quota fixa foi publicada no dia 25 de abril. As empresas devem sair do ar até 6 de outubro, mesmo prazo para apostadores resgatarem saldos e para a retirada de peças publicitárias e marcas vinculadas a contratos de patrocínio.
Antes da confirmação da proibição, empresas de apostas online notificaram clubes sobre a possibilidade de rescisão dos contratos.
O governo também enviou ao Congresso Nacional projeto de lei para criminalizar a exploração, operação e divulgação de apostas de quota fixa após a proibição. A proposta prevê pena de reclusão de 4 a 6 anos, além de multa, mesmo que o agente tenha autorização de autoridade estrangeira. O texto ainda precisa ser aprovado e sancionado para entrar em vigor.
Críticas à forma da proibição
A decisão do governo tem gerado debate sobre o timing e a forma como foi implementada, a poucos dias das eleições. Críticos apontam que o setor havia sido regulamentado e atraído investimentos nacionais e estrangeiros, criando uma cadeia produtiva que envolve clubes, empresas de comunicação e empregos diretos e indiretos.
Há também preocupação com a continuidade das apostas ilegais, que não recolhem impostos nem geram empregos no país, enquanto a regulamentação permitia arrecadação tributária destinada a áreas como educação e saúde.
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