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19 de setembro de 2026

Política

PF investiga suspeitas de fraude em contratos de mais de R$ 80 milhões na Educação de Belo Horizonte

Nova fase da Operação Overclean cumpre 24 mandados de busca e apreensão em seis estados e apura possível direcionamento de contratações para serviços e materiais didáticos

Por Ana Beatriz Ramos
Prefeitura de Belo Horizonte

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (17) uma nova etapa da Operação Overclean para investigar suspeitas de irregularidades em contratos ligados à Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte.

A investigação apura possíveis fraudes em procedimentos realizados entre 2024 e 2025 para contratação de serviços e aquisição de materiais didáticos.

Segundo a Polícia Federal, pelo menos três contratos analisados somam mais de R$ 80 milhões. Outros processos de contratação também fazem parte da apuração.

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Esta é a décima fase da Operação Overclean, investigação que já atingiu empresários, agentes públicos e políticos desde sua deflagração, em dezembro de 2024.

Operação cumpre 24 mandados em seis estados

Ao todo, policiais federais cumprem 24 mandados de busca e apreensão autorizados judicialmente.

As diligências acontecem em seis estados:

  • Minas Gerais;

  • Bahia;

  • São Paulo;

  • Tocantins;

  • Paraná;

  • Espírito Santo.

Os investigadores procuram documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos que possam ajudar a esclarecer como ocorreram as contratações analisadas.

A principal suspeita é de que determinados procedimentos tenham sido direcionados para beneficiar fornecedores específicos.

Empresários e ex-secretário estão entre os alvos

Entre os alvos citados na investigação está o empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”.

Também aparecem entre os alvos os empresários Fábio e Alex Parente, ligados a empresas dos setores de construção e limpeza urbana.

Outro nome relacionado às apurações é o do ex-secretário municipal de Educação de Belo Horizonte Bruno Barral.

Barral já havia sido alvo de uma fase anterior da Overclean e foi afastado do cargo por decisão judicial no contexto das investigações.

As suspeitas envolvendo os investigados ainda estão sendo apuradas, e a realização das buscas não representa condenação.

PF investiga possível direcionamento de contratos

O foco desta etapa está nos processos realizados pela área de Educação da capital mineira.

A Polícia Federal tenta determinar se houve interferência para direcionar contratações destinadas ao fornecimento de serviços e materiais didáticos.

Pelo menos três procedimentos resultaram em contratos que, juntos, ultrapassaram a marca de R$ 80 milhões entre 2024 e 2025.

Além deles, outros processos administrativos também são analisados pelos investigadores.

De acordo com a PF, os fatos investigados podem, em tese, envolver crimes contra a administração pública, fraude em licitações e contratos, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A investigação deverá agora analisar o material recolhido durante as buscas para verificar se existem novos elementos que sustentem as suspeitas.

Overclean começou em 2024

A Operação Overclean foi iniciada no final de 2024 e passou por diferentes fases desde então.

A investigação original apura suspeitas de desvios de recursos públicos e fraudes em licitações envolvendo contratos financiados, inclusive, com recursos provenientes de emendas parlamentares e de órgãos federais.

Em fases anteriores, a investigação alcançou contratos relacionados a obras, pavimentação, limpeza urbana e outros serviços públicos.

Em agosto deste ano, a Polícia Federal indiciou 25 empresários e agentes públicos em um dos braços da investigação. Entre os indiciados estavam José Marcos de Moura e os empresários Fábio e Alex Parente.

Naquele conjunto de apurações, a PF investigava suspeitas envolvendo contratos e recursos ligados a órgãos como o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

A atual etapa amplia o foco das investigações para os contratos relacionados à Educação de Belo Horizonte.

Investigação continua

Com o cumprimento dos novos mandados, a Polícia Federal pretende aprofundar a análise sobre a possível atuação coordenada de empresários e agentes públicos nas contratações investigadas.

Documentos, mensagens, movimentações financeiras e materiais eletrônicos eventualmente apreendidos poderão ser confrontados com informações que já fazem parte do inquérito.

A investigação permanece em andamento e ainda deverá determinar se as suspeitas levantadas pela Polícia Federal resultarão em novas medidas judiciais ou responsabilizações.

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