Astronomia
Nasa avança em projeto de telescópio que irá além do James Webb
PRIMA deve entrar em funcionamento até 2033 e observará o universo no infravermelho distante, custando seis vezes menos que seu antecessor
A NASA anunciou que o PRIMA (Probe far-Infrared Mission for Astrophysics) avançou para uma nova etapa de desenvolvimento. O telescópio espacial será projetado para observar o universo no infravermelho distante, uma faixa que permite estudar fenômenos pouco acessíveis a outros observatórios e que deverá complementar as observações feitas pelo Telescópio Espacial James Webb.
O anúncio foi feito em 23 de setembro. O projeto entrou na Fase B, etapa em que são desenvolvidos o projeto preliminar e tecnologias necessárias para a missão. Antes de avançar para a construção, porém, o PRIMA ainda precisará passar por uma revisão de confirmação que avaliará aspectos técnicos, de cronograma e de custos.
Se aprovado para a próxima fase, o observatório terá custo de projeto limitado a US$ 1,2 bilhão, sem incluir despesas de lançamento e outros custos não relacionados diretamente ao projeto. A NASA prevê o lançamento para 2033, com uma missão planejada para cinco anos.
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Telescópio terá espelho de 1,8 metro
O PRIMA terá um espelho primário de 1,8 metro de diâmetro e será resfriado a temperaturas extremamente baixas para aumentar a sensibilidade dos instrumentos. A missão foi concebida para preencher uma lacuna entre observatórios que trabalham no infravermelho, como o James Webb, e os radiotelescópios.
O telescópio deverá observar comprimentos de onda entre aproximadamente 24 e 235 micrômetros, permitindo detectar radiação emitida por regiões do universo obscurecidas por poeira e que são difíceis de estudar em outras faixas do espectro.
A missão contará com instrumentos capazes de realizar espectroscopia, imagens em diferentes faixas e observações polarimétricas. Entre os principais objetivos estão investigar a formação de planetas e suas atmosferas, estudar a evolução de galáxias e buracos negros supermassivos e compreender como poeira e elementos pesados se acumularam ao longo da história do universo.
Nova janela para estudar galáxias e buracos negros
Uma das áreas de interesse do PRIMA será o estudo de regiões de galáxias encobertas por grandes quantidades de poeira. A radiação no infravermelho distante pode revelar informações sobre processos relacionados à formação de estrelas e ao crescimento de buracos negros supermassivos.
Segundo a equipe científica do projeto, essas observações poderão ajudar a entender como estrelas e buracos negros evoluíram conjuntamente ao longo de bilhões de anos. O telescópio também deverá investigar a composição de sistemas planetários e os processos envolvidos na formação de novos mundos.
A NASA classifica o PRIMA como a primeira missão de uma nova categoria de observatórios de astrofísica, chamada Probe Explorers, criada dentro do tradicional programa Explorers. O projeto será administrado pelo Jet Propulsion Laboratory (JPL), com participação de outros centros da NASA e de instituições internacionais.
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