Política
Governo anuncia reajuste de 15% no Bolsa Família e valor mínimo sobe para R$ 691
Benefício médio deverá passar de R$ 675 para R$ 777; governo afirma que aumento recompõe inflação acumulada desde o relançamento do programa
O governo federal anunciou nesta quinta-feira (17) um reajuste de 15,04% nos valores pagos pelo Bolsa Família. Com a mudança, o benefício mínimo mensal passará dos atuais R$ 600 para R$ 691 por família.
O benefício médio também será reajustado. Segundo o Ministério do Planejamento e Orçamento, o valor deverá sair de aproximadamente R$ 675 para R$ 777 mensais.
O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante evento no Palácio do Planalto, ao lado de integrantes do governo.
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De acordo com o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, o percentual corresponde à variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) desde o relançamento do programa até agosto de 2026.
Reajuste começa a valer na folha de outubro
Os novos valores deverão ser incorporados à folha de pagamentos de outubro.
Isso significa que os benefícios pagos neste mês de setembro ainda seguem as regras e os valores anteriores.
O calendário de setembro começou nesta quinta-feira (17) e segue até o dia 30, de acordo com o último número do NIS de cada beneficiário.
Dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social mostram que aproximadamente 19,29 milhões de famílias recebem o Bolsa Família neste mês.
Antes do reajuste anunciado, o pagamento médio de setembro ficou em R$ 678,18.
Governo diz que aumento recompõe inflação
Segundo Bruno Moretti, o reajuste de 15,04% foi calculado considerando a inflação medida pelo INPC.
O governo argumenta que a atualização busca recuperar o poder de compra perdido desde o relançamento do Bolsa Família, em março de 2023.
Desde então, o piso de R$ 600 permanecia sem reajuste.
Com a aplicação do percentual, o valor mínimo aumenta em R$ 91, chegando aos R$ 691.
O pagamento médio, por sua vez, deverá crescer aproximadamente R$ 102, alcançando R$ 777.
Adicionais do Bolsa Família também serão reajustados
O percentual anunciado pelo governo será aplicado aos diferentes benefícios que compõem o programa.
Atualmente, além do valor mínimo garantido às famílias, o Bolsa Família possui pagamentos adicionais definidos de acordo com a composição familiar.
Entre eles estão benefícios destinados a famílias com crianças pequenas, adolescentes, gestantes e bebês.
A estrutura permite que determinadas famílias recebam valores superiores ao piso mensal, dependendo da quantidade e da idade de seus integrantes.
Com a correção anunciada, esses componentes também deverão ser atualizados seguindo o percentual estabelecido pelo governo.
Medida terá impacto bilionário nas contas públicas
O reajuste também representará aumento das despesas federais.
Segundo o Ministério do Planejamento, o impacto adicional estimado para os últimos meses de 2026 será de aproximadamente R$ 5,8 bilhões.
Como em 2027 os novos valores valerão durante os 12 meses do ano, a estimativa apresentada pelo governo é de um custo adicional próximo de R$ 22 bilhões.
O anúncio representa uma mudança em relação ao cenário apresentado pelo governo poucas semanas atrás.
A proposta de Orçamento de 2027 enviada ao Congresso no fim de agosto não previa aumento no Bolsa Família. Na ocasião, o texto reservava R$ 157,1 bilhões para o programa e mantinha o piso em R$ 600.
Agora, o governo afirma ter identificado espaço fiscal para realizar a atualização.
Anúncio ocorre 17 dias antes das eleições
O reajuste foi anunciado a pouco mais de duas semanas do primeiro turno das eleições gerais de 2026.
A votação está marcada para 4 de outubro, o que coloca o anúncio 17 dias antes da ida dos brasileiros às urnas.
Lula disputa a reeleição neste ano.
Em 2022, durante o governo Jair Bolsonaro, o valor mínimo do então Auxílio Brasil também foi ampliado em ano eleitoral. Naquele momento, o piso passou de R$ 400 para R$ 600 após a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).
O patamar de R$ 600 foi posteriormente mantido pelo governo Lula quando o Bolsa Família foi reformulado em 2023.
Quem pode receber o Bolsa Família?
As regras de acesso ao programa permanecem vinculadas principalmente à renda familiar e à inscrição no Cadastro Único.
Atualmente, podem ingressar no Bolsa Família famílias cuja renda mensal por pessoa seja de até R$ 218, desde que cumpram os demais critérios estabelecidos pelo programa.
Existem ainda condicionalidades relacionadas principalmente à saúde e à educação.
Entre elas estão acompanhamento pré-natal para gestantes, atualização da vacinação de crianças e cumprimento da frequência escolar exigida para crianças e adolescentes.
O reajuste anunciado nesta quinta-feira altera os valores dos benefícios, mas não representa, por si só, uma mudança nesses critérios de entrada no programa.
Com a nova atualização, o piso de R$ 691 deverá começar a chegar aos beneficiários a partir do calendário de pagamentos de outubro.
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