Greve
Rodoviários do DF rejeitam reajuste de 6% e entram em greve nesta segunda
Categoria aprovou paralisação por unanimidade após recusar proposta das empresas de ônibus; concessionárias criticam movimento e destacam reajustes acima da inflação
Os rodoviários do Distrito Federal decidiram entrar em greve a partir da meia-noite desta segunda-feira (28/9), após rejeitarem por unanimidade a proposta salarial apresentada pelas empresas de ônibus. A decisão foi tomada em assembleia realizada na manhã de domingo (27/9), no estacionamento do Conic, no Setor de Diversões Sul.
A paralisação não tem prazo definido para encerrar. As empresas de transporte coletivo haviam apresentado no sábado (26/9) uma oferta final que incluía reajuste salarial de 6%, aumento de 7% no tíquete-refeição, alimentação e cesta básica, além de 11,88% no auxílio-saúde e plano odontológico. O seguro de vida em grupo seria duplicado, passando de aproximadamente R$ 24 mil para R$ 48 mil.
A proposta previa ainda a manutenção dos postos de trabalho dos cobradores durante a vigência do acordo. Os valores retroativos a 1º de agosto seriam pagos em parcela única na folha de outubro.
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Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Terrestres do DF, a categoria reivindicava reajuste de 8% nos salários, 10% nos benefícios de alimentação e 12% no plano de saúde. José Cabral Filho, representante dos trabalhadores, afirmou que as empresas não apresentaram propostas aceitas pela categoria.
A greve havia sido anunciada inicialmente em 20 de setembro e foi comunicada formalmente às concessionárias em 23 de setembro. As negociações entre sindicato e empresas já acumulavam mais de dez rodadas de discussões.
Empresas repudiam paralisação
Em nota, as concessionárias repudiaram a decisão de greve e argumentaram que a proposta apresentava reajustes acima da inflação de 4,11% registrada no período. Segundo as empresas, os aumentos oferecidos representariam ganho real de 1,82%.
As concessionárias criticaram o uso da paralisação como instrumento de pressão e apontaram que os principais prejudicados serão os usuários do transporte público. A nota destacou que milhares de trabalhadores, estudantes, pacientes e idosos dependem dos ônibus diariamente para chegar ao emprego, à escola, aos hospitais e aos serviços públicos.
As empresas também destacaram a evolução salarial da categoria desde o início dos contratos de concessão. Segundo as concessionárias, o salário dos motoristas subiu 151%, passando de R$ 1.607,05 para R$ 4.034,60. No mesmo período, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) teria acumulado 97%. Com o reajuste proposto, a diferença entre a evolução salarial e a inflação passaria de 60 pontos percentuais, de acordo com as empresas.
As concessionárias afirmaram que permanecem abertas ao diálogo e cobraram do sindicato o cumprimento da Lei nº 7.783/1989, que determina a garantia do atendimento às necessidades inadiáveis da população mesmo durante greves em serviços essenciais como o transporte coletivo.
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