Relações Internacionais
Xi Jinping chega aos EUA nesta quarta para reunião com Trump em Washington
Líder chinês desembarca na capital americana para encontro bilateral que deve abordar inteligência artificial, vendas de armas a Taiwan e equilíbrio de poder entre as duas potências
O presidente da China, Xi Jinping, desembarca nesta quarta-feira (23) nos Estados Unidos para uma reunião bilateral com o presidente Donald Trump. O líder chinês partiu de Pequim às 6h (horário de Brasília) e deve chegar à Base Aérea Andrews, em Washington D.C., ainda na noite desta quarta.
O encontro oficial entre os dois chefes de Estado está marcado para quinta-feira (24) na Casa Branca. A agenda inclui ainda uma cerimônia do chá com Melania Trump e uma visita ao Arquivo Nacional na sexta-feira (25), quando Xi e sua comitiva retornam à China.
Inteligência artificial no centro das tensões
A corrida pelo desenvolvimento de inteligência artificial deve dominar parte das conversas. Trump tem repetido publicamente que “quem vencer na IA, vence” e afirmou em suas redes sociais que os Estados Unidos estão à frente da China e que não pretende “sufocar o crescimento” de uma tecnologia que, segundo ele, será maior que a Revolução Industrial.
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Do lado chinês, a preocupação é igualmente estratégica. Chen Yixin, chefe do Ministério da Segurança do Estado da China, alertou em artigo recente que a inteligência artificial representa ameaça direta ao domínio do Partido Comunista caso potências estrangeiras alcancem capacidades superiores.
Os Estados Unidos já impõem restrições à exportação de chips avançados de IA para a China e acusam desenvolvedores chineses de acessar modelos americanos em escala industrial para extrair suas capacidades. Pequim, por sua vez, argumenta que a prática de “destilação” é amplamente utilizada, inclusive por empresas americanas, e critica Washington por tentar monopolizar o setor.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, anunciou no domingo (20), após reunião com o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng em Nova York, que os Estados Unidos propuseram um novo “mecanismo de notificação” para incidentes de IA que possam afetar a segurança nacional de ambos os países.
Taiwan volta ao radar das discussões
A questão das vendas de armas americanas a Taiwan também deve estar na pauta. A China considera Taiwan parte de seu território e classifica o assunto como sua questão diplomática mais sensível, exigindo repetidamente que os Estados Unidos interrompam o fornecimento militar à ilha.
Pequim deve trazer à tona sua interpretação de um comunicado conjunto de 1982, no qual os Estados Unidos afirmaram que pretendiam reduzir gradualmente as vendas de armas a Taiwan. No entanto, um memorando anexo do então presidente Ronald Reagan condicionava essa redução ao “compromisso contínuo da China com a solução pacífica” das divergências com a ilha.
Nos últimos cinco anos, a China intensificou suas atividades militares ao redor de Taiwan, incluindo exercícios com testes reais de mísseis. As Forças Armadas chinesas operam na região quase diariamente.
O jornal oficial chinês Diário do Povo alertou nesta terça-feira que, se a questão de Taiwan for mal conduzida, isso poderia levar as relações entre China e Estados Unidos “a uma situação muito perigosa”.
Novo equilíbrio de poder
A visita ocorre em um contexto diferente do último encontro presencial entre Xi e Trump em território americano, há quase uma década, no resort Mar-a-Lago. Desde então, a China emergiu como potência tecnológica, com empresas nacionais avançando em inteligência artificial, veículos espaciais reutilizáveis e energia renovável.
A segunda maior economia do mundo acumulou superávit comercial global de US$ 1,2 trilhão no ano passado, impulsionado pela demanda crescente por veículos elétricos, painéis solares e chips chineses. O domínio sobre cadeias de suprimentos de terras-raras confere a Pequim alavancagem única nas negociações com Washington.
Pesquisa recente do Pew Research Center, divulgada em julho, mostrou que a China é vista de forma mais positiva do que os Estados Unidos na maioria dos 36 países pesquisados, e Xi supera Trump na conquista da confiança das pessoas.
Nas últimas semanas, o líder chinês intensificou sua agenda diplomática internacional, com visitas a países do BRICS e ao Egito, onde apresentou propostas para uma “nova arquitetura de segurança” no Oriente Médio que não dependa dos Estados Unidos.
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