Eleições
Zé Trovão aciona TSE contra reajuste do Bolsa Família; André Mendonça será relato
Deputado pede suspensão do aumento durante o período eleitoral e argumenta que medida pode configurar conduta vedada; governo afirma que reajuste apenas recompõe inflação acumulada
O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira (17) para tentar suspender o reajuste anunciado pelo governo federal nos valores do Bolsa Família.
A representação será analisada pelo ministro André Mendonça, que foi escolhido por sorteio para ser o relator do processo na Corte Eleitoral.
Zé Trovão é aliado político do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República nas eleições deste ano.
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Na ação, o parlamentar argumenta que a elevação dos benefícios em pleno período eleitoral poderia configurar uma conduta vedada pela legislação e afetar a igualdade de condições entre os candidatos.
O governo contesta essa interpretação e afirma que a medida não representa a criação ou ampliação de um programa social, mas apenas uma atualização dos valores para compensar a inflação acumulada desde 2023.
Deputado pede suspensão do aumento
Zé Trovão solicita, em caráter liminar, que a Justiça Eleitoral impeça temporariamente o pagamento dos novos valores.
A intenção é que o Bolsa Família continue sendo pago pelos valores anteriores enquanto o processo estiver em julgamento ou, alternativamente, até o encerramento do período eleitoral.
O parlamentar fundamenta o pedido nas regras da legislação eleitoral que restringem determinadas ações de agentes públicos durante anos de eleição.
Segundo a representação, a proximidade entre o anúncio do reajuste e as eleições deve ser considerada pelo TSE ao analisar a legalidade da medida.
O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, 17 dias depois do anúncio realizado pelo governo.
André Mendonça será responsável pelo processo
O processo foi distribuído por sorteio ao ministro André Mendonça.
Além de integrar o Supremo Tribunal Federal (STF), Mendonça ocupa atualmente a vice-presidência do Tribunal Superior Eleitoral.
Como relator, caberá ao ministro analisar inicialmente os argumentos apresentados na representação e os pedidos formulados por Zé Trovão.
Entre eles está justamente a solicitação urgente para impedir que o reajuste produza efeitos financeiros durante o período eleitoral.
Não havia, até a publicação desta reportagem, decisão do TSE sobre a suspensão do aumento.
Bolsa Família passará de R$ 600 para R$ 691
O reajuste questionado foi anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira.
O aumento será de 15,04%, percentual correspondente, segundo o governo, à inflação acumulada medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) desde a reformulação do Bolsa Família em 2023.
Com a atualização, o benefício mínimo garantido às famílias passará dos atuais R$ 600 para R$ 691.
O benefício médio também aumentará, saindo de aproximadamente R$ 675 para R$ 777.
Os novos valores terão efeitos financeiros a partir de outubro.
Além do piso do programa, outros componentes do Bolsa Família também serão corrigidos.
O Benefício de Renda de Cidadania passará para R$ 164 por integrante da família, enquanto o Benefício Primeira Infância será elevado para R$ 173. Já o Benefício Variável Familiar passará para R$ 58.
Governo prevê impacto de R$ 5,8 bilhões neste ano
Segundo cálculos apresentados pelo governo, a atualização deverá representar aproximadamente R$ 5,8 bilhões em despesas adicionais em 2026.
Para 2027, quando os novos valores estarão em vigor durante todo o ano, a estimativa é de um impacto próximo de R$ 22 bilhões.
O governo afirma que existe espaço fiscal para acomodar o reajuste.
A atualização foi formalizada por decreto presidencial publicado em edição extra do Diário Oficial da União nesta quinta-feira.
AGU defende legalidade do reajuste
A Advocacia-Geral da União (AGU) sustenta que a medida não viola a legislação eleitoral.
Segundo o órgão, o decreto apenas recompõe o valor real dos benefícios diante da inflação acumulada desde a instituição do atual modelo do Bolsa Família, em março de 2023.
A AGU argumenta ainda que a própria legislação do programa autoriza o Poder Executivo a atualizar os valores.
Outro argumento apresentado pelo governo é que o decreto não cria um novo benefício e tampouco modifica as regras utilizadas para determinar quem pode receber o Bolsa Família.
A medida apenas altera os valores pagos aos beneficiários que já atendem aos critérios do programa.
Ação coloca legislação eleitoral no centro da discussão
A controvérsia deverá levar o TSE a analisar se a atualização monetária de um programa social já existente pode ser enquadrada nas restrições impostas aos agentes públicos durante o ano eleitoral.
De um lado, Zé Trovão sustenta que o momento escolhido para o reajuste e o aumento dos valores podem afetar a igualdade entre os candidatos.
Do outro, o governo argumenta que se trata apenas de uma correção inflacionária autorizada pela legislação e necessária para preservar o poder de compra das famílias beneficiárias.
A decisão inicial sobre o pedido de suspensão ficará sob responsabilidade de André Mendonça.
Enquanto não houver uma determinação da Justiça Eleitoral em sentido contrário, o decreto permanece válido e os novos valores do Bolsa Família estão previstos para começar a produzir efeitos financeiros em outubro.
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