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24 de setembro de 2026

Estados Unidos

Justiça ordena retomada de credenciais de jornalistas excluídos da Casa Branca

Juiz federal considerou a proibição de acesso de repórteres da CNN, MS Now e Politico provavelmente inconstitucional e rejeitou argumento de segurança nacional usado pelo governo

Por Redação Mancheck Atualizado às 08:49
Justiça dos EUA manda Trump devolver credenciais de jornalistas barrados da Casa Branca
Justiça dos EUA manda Trump devolver credenciais de jornalistas barrados da Casa Branca

Um juiz federal dos Estados Unidos determinou nesta quinta-feira (24) que o presidente Donald Trump restabeleça imediatamente o acesso à Casa Branca para jornalistas de três veículos de comunicação que haviam sido banidos do local. A decisão afirma que a proibição imposta à CNN, MS Now e Politico provavelmente viola a Constituição norte-americana.

O juiz distrital Tim Kelly emitiu a ordem em resposta a uma ação movida pelos veículos de comunicação contra a restrição anunciada por Trump em 18 de setembro. A determinação judicial obriga o governo a devolver as credenciais de imprensa dos três veículos e proíbe novas restrições por um período de 14 dias.

Na decisão, Kelly rejeitou o argumento apresentado pela defesa do governo de que a medida teria sido motivada por questões de segurança nacional. Segundo o magistrado, o processo não apresenta fundamentos factuais que justifiquem a alegação de que a revogação das credenciais protegeria a segurança do país ou que sua devolução representaria algum risco.

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O juiz destacou ainda que o próprio Trump declarou publicamente que a proibição ocorreu devido à “suposta falta de veracidade e negatividade” das reportagens publicadas pelos veículos. Nas redes sociais, o presidente havia afirmado que os três veículos “não deveriam ter permissão para escrever ou divulgar constantemente ficção e mentiras”.

Violação de direitos constitucionais

Na ação judicial protocolada na segunda-feira, os veículos argumentaram que a proibição viola as garantias da Primeira Emenda da Constituição dos EUA sobre liberdade de expressão e de imprensa, além dos direitos ao devido processo legal.

Durante audiência realizada na quarta-feira, Kelly afirmou que precedentes judiciais deixam claro que jornalistas têm direito ao devido processo antes que suas credenciais sejam revogadas. O magistrado observou que a Casa Branca não ofereceu aos veículos afetados uma oportunidade de contestar a perda de acesso.

Advogados que representam os veículos afirmaram que eles foram banidos sem aviso prévio ou possibilidade de defesa, requisitos previstos em lei. A medida foi descrita como sem precedentes e uma punição severa.

Representantes do Departamento de Justiça argumentaram que o governo havia apresentado justificativa suficiente para a revogação em cartas enviadas aos veículos na terça-feira. O juiz, porém, demonstrou ceticismo, observando que as cartas foram enviadas depois que a revogação já havia ocorrido e após o início da ação judicial.

Reação de Trump e apoio à imprensa

Trump reagiu à decisão afirmando que irá recorrer. O presidente acusou os veículos de terem conseguido “um juiz favorável” e ironizou o fato de Kelly ter sido nomeado por ele próprio. Na publicação em rede social, o republicano afirmou que a Casa Branca não está promovendo um ataque à “imprensa livre”, mas às “notícias falsas”.

Uma coalizão de grupos de defesa da liberdade de imprensa e dezenas de empresas jornalísticas protocolou um parecer em apoio aos três veículos barrados. O documento argumenta que retirar direitos de jornalistas em razão de percepção sobre sua linha editorial viola décadas de jurisprudência. Entre os signatários estão o Comitê de Repórteres para a Liberdade de Imprensa, Reuters, Washington Post e Fox News.

Como forma de protesto, cinco grandes emissoras norte-americanas anunciaram a suspensão da cobertura na Casa Branca: ABC, CBS, CNN, Fox News e NBC, que compõem o pool de imprensa credenciado na sede do governo.

A disputa judicial acontece semanas antes das eleições legislativas de 3 de novembro, nas quais os republicanos tentam manter o controle do Congresso em um cenário de baixas taxas de aprovação do presidente.

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