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24 de setembro de 2026

Assembleia Geral da ONU

Delegação brasileira deixa plenário da ONU durante discurso de Netanyahu

Ato de protesto contra ações de Israel em Gaza foi planejado com antecedência e envolveu diversos países; primeiro-ministro israelense chamou manifestantes de 'covardes morais'

Por Anna Luiza Bastos
Delegação brasileira deixa plenário da ONU durante discurso de Netanyahu
Delegação brasileira deixa plenário da ONU durante discurso de Netanyahu

A delegação do Brasil deixou o plenário da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quinta-feira (24) assim que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, começou seu discurso. O gesto foi uma forma de protesto contra as posições do líder israelense, especialmente em relação à guerra na Faixa de Gaza.

A ação não ficou restrita aos representantes brasileiros. Diversas outras delegações também se retiraram do salão no mesmo momento. Ao perceber a movimentação, Netanyahu reagiu: “Se há mais covardes morais que ainda não saíram desse salão, por favor, façam isso agora”.

O protesto foi organizado previamente. Inicialmente, apenas um diplomata brasileiro estava escalado para acompanhar a sessão plenária da quinta-feira. No entanto, outros quatro integrantes da delegação se juntaram a ele durante o discurso do vice-presidente da Colômbia, José Manuel Restrepo, que antecedeu o pronunciamento de Netanyahu. O objetivo era ampliar o volume de pessoas no momento da retirada coletiva.

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A delegação palestina também reforçou sua presença no plenário especificamente para o protesto. Durante o discurso colombiano, havia apenas dois representantes palestinos no local. Antes do início da fala do primeiro-ministro israelense, o número aumentou para seis pessoas.

Em contrapartida, a delegação de Israel levou representantes extras para aplaudir durante o discurso de Netanyahu. Embora cada delegação tenha direito a apenas seis assentos, os israelenses solicitaram passes para setores de observação a fim de aumentar o apoio visível ao primeiro-ministro.

A retirada coletiva tem se repetido anualmente desde 2024, ano seguinte ao início do conflito em Gaza. Nos bastidores da ONU, o episódio desta quinta-feira foi descrito como uma das maiores debandadas já registradas durante um discurso na Assembleia Geral.

Posição brasileira

O governo brasileiro mantém críticas contundentes às ações militares de Israel em Gaza. Durante seu discurso na Assembleia, na terça-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou as operações israelenses como genocídio.

“Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza”, afirmou Lula. O presidente também criticou os assentamentos ilegais na Cisjordânia, que, segundo ele, comprometem cada vez mais a viabilidade da solução de dois Estados.

A posição brasileira defende a criação de dois Estados como forma de resolver o conflito histórico entre israelenses e palestinos. Quanto ao Irã, o Brasil condena o uso da força por ambos os lados e defende a contenção máxima e o diálogo diplomático.

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