Apostas online
Futebol brasileiro pode perder R$ 2,5 bi com proibição das bets, diz Bap
Presidente do Flamengo estima impacto bilionário no esporte após governo anunciar medida provisória para proibir plataformas de apostas online no país
O futebol brasileiro pode sofrer uma perda de aproximadamente R$ 2,5 bilhões em receitas com o fim das plataformas de apostas online, segundo estimativa do presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap. A declaração foi dada nesta sexta-feira (25), mesmo dia em que o governo federal anunciou medidas para proibir a atuação das bets no país.
A declaração de Bap ocorreu em entrevista à CNN Brasil, horas depois de o Flamengo divulgar nota criticando a posição do governo. O clube carioca é um dos que possuem contratos de patrocínio com empresas do setor de apostas esportivas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou uma Medida Provisória (MP) para interromper a atuação das plataformas de apostas no país e deve enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei que estabelece penas para quem explorar, operar ou divulgar essas plataformas. O projeto também poderá alcançar a publicidade relacionada às apostas e aos jogos online.
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Impacto econômico das apostas
Um estudo do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), divulgado em agosto, estimou que as bets retiraram R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras em 2025, o equivalente a cerca de 0,68% da renda disponível.
O valor representa uma estimativa de “saída líquida” de recursos, calculada pela diferença entre o dinheiro colocado pelos apostadores nas plataformas e os prêmios recebidos de volta. Portanto, os R$ 62,5 bilhões não correspondem ao faturamento ou à receita das empresas de apostas.
Entre outubro de 2024 e março de 2026, a média mensal estimada de saída líquida ficou em R$ 4,7 bilhões.
O estudo também apontou que as apostas online têm baixo efeito multiplicador na economia. Segundo os pesquisadores, diferentemente do consumo de bens e serviços, os recursos destinados às plataformas geram menos renda, empregos e atividade econômica.
De acordo com o levantamento, o Pix é o principal meio usado para transferir dinheiro às plataformas de apostas. O estudo estimou que as bets responderam, em média, por R$ 24,1 bilhões mensais adicionais no volume de transações entre outubro de 2024 e março de 2026. O cálculo, porém, é uma estimativa estatística e não comprova, isoladamente, uma relação de causa e efeito entre as bets e todo esse volume de transações.
Contestação do setor
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que representa o setor, contestou os dados do Comsefaz. A entidade afirmou que o levantamento cometeu erros graves e ignorou fatores macroeconômicos que contribuíram para o aumento do uso do Pix.
A ANJL citou dados da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, segundo os quais a receita bruta do setor foi de cerca de R$ 37 bilhões em 2025 — valor que não é diretamente comparável aos R$ 62,5 bilhões estimados pelo Comsefaz, pois os indicadores medem conceitos diferentes.
A associação destacou ainda que as transações analisadas no estudo se referem a transferências de pessoas físicas para empresas de quatro segmentos — artes, cultura, esportes e recreação —, que incluem diversos prestadores de serviços de entretenimento, não apenas as bets.
Como funciona a medida provisória
A Medida Provisória tem força de lei e produz efeitos imediatamente após sua publicação no Diário Oficial da União, embora precise ser analisada pelo Congresso Nacional para continuar em vigor. A medida anunciada pelo governo determina a interrupção da atuação das plataformas de apostas no país e prevê mecanismos para impedir seu funcionamento e as respectivas transações financeiras.
O projeto de lei que será enviado ao Congresso trata de outra questão: a criação de crimes e penas para quem explorar, operar ou divulgar plataformas de apostas. A Constituição Federal não permite que medidas provisórias criem crimes ou estabeleçam penas.
A MP tem prazo inicial de 60 dias e pode ser prorrogada uma vez por igual período, totalizando até 120 dias de vigência. Caso não seja convertida em lei dentro desse prazo, perde eficácia. O Congresso poderá disciplinar, por meio de decreto legislativo, as relações jurídicas decorrentes da perda de eficácia da medida.
Entidades como o Instituto Brasileiro do Jogo Responsável já anunciaram que poderão recorrer à Justiça para contestar a proibição.
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