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29 de setembro de 2026

Eleições 2025

Lula avança entre religiosos enquanto STF e TSE disputam protagonismo eleitoral

Petista cresceu entre católicos e evangélicos durante polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida, enquanto ministros travam embate nos bastidores da reta final

Por Ana Beatriz Ramos
Lula avança entre religiosos enquanto STF e TSE disputam protagonismo eleitoral
Lula avança entre religiosos enquanto STF e TSE disputam protagonismo eleitoral

A última semana antes do primeiro turno das eleições presidenciais é marcada por dois movimentos paralelos: o avanço do ex-presidente Lula entre o eleitorado religioso e uma tensão crescente entre grupos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Pesquisa divulgada nesta segunda-feira (28) mostra que Lula saltou de 43% para 48% das intenções de voto entre católicos no primeiro turno. Entre evangélicos, o petista foi de 23% para 27%. Em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, o crescimento se mantém: de 46% para 50% entre católicos e de 28% para 30% entre evangélicos.

O movimento acontece em meio à controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida. JB Carvalho, fundador da igreja onde Flávio Bolsonaro e sua esposa foram batizados e são membros, escreveu em livro posições contrárias ao culto à “Rainha dos Céus”, associando-o à devoção católica a Maria. O pastor também defendeu que Nossa Senhora Aparecida deixe de ser reconhecida como padroeira do Brasil e convocou cristãos e parlamentares a se mobilizarem pela mudança.

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Flávio Bolsonaro negou que pretenda retirar o título de padroeira. As posições do pastor não demonstram que o candidato as tenha adotado, mas a pesquisa registra crescimento de Lula durante o período da polêmica.

Embate no Judiciário

Paralelamente, a reta final da eleição é atravessada por uma disputa entre grupos de ministros do STF e do TSE. Integrantes do Judiciário avaliam que o embate deve dominar os bastidores até o domingo da votação.

De um lado, ministros do Supremo vêm revendo decisões da Justiça Eleitoral, classificando algumas delas, em conversas reservadas, como “derrapadas” do TSE. Do outro, integrantes da cúpula do tribunal eleitoral, comandado por Kassio Nunes Marques, enxergam nessas intervenções uma tentativa de retomar o protagonismo do grupo de Alexandre de Moraes na condução do pleito.

A tensão ficou mais explícita no fim de semana, quando Flávio Dino invalidou uma decisão de André Mendonça no TSE envolvendo publicações sobre Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida. O episódio acrescentou mais um capítulo à disputa que já atravessava o Supremo.

No entorno das campanhas, há uma leitura política sobre a atuação dos ministros: o grupo de Moraes é visto como mais favorável aos interesses de Lula, enquanto a cúpula do TSE, presidida por Kassio e com Mendonça na vice-presidência, é vista como mais favorável aos interesses de Flávio Bolsonaro.

As divergências entre STF e TSE não são novas, mas o pleito chega à semana decisiva sem o alinhamento institucional que marcou outros momentos. Na eleição passada, havia interlocução afinada entre Rosa Weber, então presidente do Supremo, e Alexandre de Moraes, que comandava o TSE. Hoje, essa articulação não se repete.

Edson Fachin preside o Supremo e tenta exercer papel de mediação, mas encontra uma Corte fragmentada. Moraes, Dino e Gilmar Mendes têm peso próprio no tribunal. Kassio e Mendonça, que comandam a Justiça Eleitoral, estão do outro lado de algumas das principais disputas internas do STF.

Apesar das divergências, os grupos compartilham uma queixa: a falta de comando de Fachin na Corte. O presidente do Supremo chamou os ministros para conversar e tentar baixar a temperatura, mas a avaliação é que ele tem margem limitada para interferir na atuação individual dos colegas.

A tensão pode se renovar ao longo da semana: cada decisão relevante do TSE pode abrir uma nova batalha no Supremo. Para integrantes do Judiciário, a disputa vai além de quem ganha ou perde em cada processo. O que está em jogo é quem dará a última palavra sobre os conflitos eleitorais até domingo.

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