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1 de outubro de 2026

Ciência e Tecnologia

Satélites feitos por estudantes de escolas públicas brasileiras serão lançados ao espaço pela SpaceX

Estudantes de Sorocaba e Fortaleza participaram da construção dos equipamentos e criaram propostas para usar tecnologia espacial na solução de problemas regionais

Por Anna Luiza Bastos Atualizado às 16:51
Satélites montados por 100 alunos de escolas públicas serão lançados pela SpaceX nesta quinta

Cerca de 100 estudantes de escolas públicas de São Paulo e do Ceará participaram da construção de dois pequenos satélites que têm lançamento previsto para esta quinta-feira (1º), em uma missão da SpaceX. Os equipamentos, chamados EduSat-2 e EduSat-3, fazem parte da missão Transporter-18, que deve decolar da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia, a bordo de um foguete Falcon 9.

A iniciativa integra o programa AEB – Escola em Órbita, desenvolvido pela Agência Espacial Brasileira (AEB) em parceria com a startup Ideia Space. A proposta é aproximar estudantes da rede pública de atividades práticas relacionadas ao desenvolvimento de missões espaciais, incluindo programação, eletrônica e montagem de sistemas.

Estudantes desenvolveram projetos voltados às próprias regiões

O EduSat-2 foi desenvolvido com a participação de 50 alunos da Escola Municipal Dr. Getúlio Vargas, em Sorocaba (SP). Entre 21 e 25 de setembro, os estudantes trabalharam na montagem e nos testes do equipamento.

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Em Fortaleza, outros 50 alunos do Instituto Federal do Ceará (IFCE) e da Escola Professor Paulo Ayrton de Araújo participaram da construção do EduSat-3 durante a semana de 28 de setembro.

Embora tenham a mesma arquitetura e utilizem componentes semelhantes, os satélites foram trabalhados por grupos diferentes. Cada equipe foi estimulada a pensar em aplicações relacionadas a problemas observados em sua própria região.

No caso de Sorocaba, uma das propostas apresentadas pelos estudantes envolve o acompanhamento de áreas com risco de alagamento. A ideia é utilizar sensores instalados no município para coletar informações ambientais e, posteriormente, transmitir os dados por comunicação via satélite para estações em terra.

O sistema poderia contribuir para o acompanhamento de situações de risco e para a geração de informações destinadas às autoridades. No entanto, essa aplicação ainda depende do desenvolvimento e da instalação de uma estrutura específica em solo.

Alunos participaram da montagem dos equipamentos

Antes de trabalharem diretamente nos satélites, os estudantes passaram por atividades práticas com modelos educacionais. Durante a formação, aprenderam conceitos relacionados a sensores, programação e circuitos eletrônicos.

Na etapa seguinte, participaram da integração de diferentes sistemas dos equipamentos, incluindo alimentação de energia, painéis solares, computador de bordo, comunicação e controle de orientação.

De acordo com Matheus Six Madureira, sócio-fundador e diretor de Produto da Ideia Space, os estudantes não fizeram a soldagem dos componentes. A participação ocorreu na montagem e integração das partes, sempre acompanhada por profissionais responsáveis pelo projeto.

Os alunos também participaram de testes elétricos e verificações dos sistemas de comunicação, da abertura da antena e do funcionamento geral dos satélites.

A proposta, segundo Madureira, é fazer com que os jovens tenham contato direto com a criação de uma missão espacial e pensem em como a tecnologia pode ser utilizada para investigar problemas concretos.

Satélite não vai solucionar sozinho os alagamentos

Apesar de o EduSat-2 estar relacionado à proposta de monitoramento de enchentes, o equipamento não será responsável por fotografar as áreas alagadas de Sorocaba nem produzir, sozinho, uma solução para o problema.

Para transformar a ideia em um sistema de monitoramento, seriam necessários sensores instalados no município, infraestrutura para transmissão dos dados e ferramentas capazes de receber e analisar as informações. Essas etapas ainda dependem de novos projetos e desenvolvimento tecnológico.

Depois que os satélites forem colocados em órbita, os estudantes poderão acompanhar seu funcionamento e observar os dados disponibilizados pela plataforma de gerenciamento da Ideia Space.

Programa deve alcançar mais 1 mil estudantes

A experiência com os dois satélites também deve servir como etapa de expansão do projeto. Em Sorocaba, a próxima fase prevê cursos de desenvolvimento de missões espaciais para aproximadamente 500 estudantes.

Em Fortaleza, a Ideia Space está em processo de seleção de novas escolas para capacitar outros 500 alunos.

A formação não terá como objetivo necessariamente levar todos os participantes à construção de um satélite. O conteúdo deverá trabalhar competências como pensamento científico, criatividade e resolução de problemas.

Os cursos são oferecidos gratuitamente às escolas participantes, que podem procurar a Ideia Space para verificar as oportunidades disponíveis em suas regiões.

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