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28 de setembro de 2026

França

Extrema direita francesa multiplica por quatro suas cadeiras no Senado

Partido Reunião Nacional e aliados conquistaram 14 assentos na Casa, número recorde que fortalece posição de Marine Le Pen para disputa presidencial

Por Anna Luiza Bastos
Extrema direita francesa multiplica por quatro suas cadeiras no Senado
Extrema direita francesa multiplica por quatro suas cadeiras no Senado

O Reunião Nacional (RN), partido de Marine Le Pen e Jordan Bardella, alcançou neste domingo (27) seu maior resultado nas eleições para o Senado da França. A legenda e seus aliados conquistaram ao menos 14 cadeiras na Câmara Alta, número suficiente para formar, pela primeira vez, um grupo parlamentar no Senado.

O resultado representa uma expansão significativa em relação às três cadeiras que o RN possuía antes da votação. Nove senadores do partido foram eleitos neste domingo, enquanto outros três já haviam conquistado seus mandatos em 2023. As duas cadeiras restantes foram obtidas por integrantes da União das Direitas pela República (UDR), partido aliado liderado por Éric Ciotti.

O Senado francês possui 348 cadeiras. A votação deste domingo renovou 178 delas, em um processo que ocorre a cada três anos e substitui aproximadamente metade dos integrantes da Casa.

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Sistema de votação é indireto

Diferentemente das eleições para a Assembleia Nacional, os senadores franceses não são escolhidos diretamente pelos eleitores. O voto é feito por um colégio de representantes eleitos, formado principalmente por vereadores, prefeitos, deputados e outros representantes locais.

Os senadores têm mandato de seis anos, e metade da composição da Casa é renovada a cada três anos. O sistema faz com que os resultados das eleições municipais e a presença dos partidos nas administrações locais tenham influência sobre a composição do Senado.

O RN entrou pela primeira vez no Senado em 2014, quando ainda se chamava Frente Nacional, com dois representantes. Em 2023, o partido elegeu três senadores, número que agora foi ampliado com a nova votação.

Marine Le Pen chama resultado de histórico

Após a divulgação dos resultados, Marine Le Pen classificou o desempenho como uma “vitória histórica” e destacou a formação inédita de um grupo parlamentar da legenda no Senado.

Jordan Bardella, presidente do RN, também comemorou o resultado e afirmou que os senadores do partido deverão atuar em conjunto com os representantes da UDR. A aliança reúne os 14 parlamentares que permitem ultrapassar o número mínimo necessário para a criação de um grupo na Câmara Alta.

Apesar do avanço do RN, o resultado não altera a predominância da direita tradicional no Senado francês. Os Republicanos continuam como a principal força da Casa e devem manter, com aliados centristas, a maioria parlamentar.

Resultado ocorre antes da eleição presidencial

As eleições para o Senado foram realizadas cerca de sete meses antes da eleição presidencial francesa de 2027. Emmanuel Macron não poderá disputar um terceiro mandato consecutivo, e a sucessão presidencial já movimenta os principais partidos do país.

Marine Le Pen é uma das principais figuras do RN e tem manifestado interesse em disputar novamente a Presidência. A situação de sua candidatura, entretanto, está relacionada também a questões judiciais e ao cenário eleitoral que será definido nos próximos meses.

O avanço do RN no Senado amplia a presença institucional do partido em uma das duas Casas do Parlamento francês e marca uma nova etapa de sua atuação parlamentar nacional. Ao mesmo tempo, os resultados mostram que a maioria do Senado continua nas mãos da direita tradicional e de seus aliados.

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