Operação da PF
PF indicia fundador da Reag e outras 12 pessoas por lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta
João Carlos Mansur é um dos 13 investigados apontados pela Operação Quasar; empresário também firmou acordo de delação com a PGR no caso Banco Master
A Polícia Federal indiciou João Carlos Mansur, fundador e ex-presidente da Reag Investimentos, e outras 12 pessoas no âmbito da Operação Quasar, que investiga um esquema de fraudes tributárias e lavagem de dinheiro relacionado ao setor de combustíveis.
Segundo a PF, Mansur foi indiciado pelos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Gestores ligados a outras empresas do mercado financeiro, entre elas a Trustee Distribuidora e a BK Instituição de Pagamento, também estão entre os investigados.
A investigação envolve empresas associadas aos empresários Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo. Eles também aparecem em investigações relacionadas às operações Carbono Oculto e Tank.
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Como funcionaria o esquema investigado
De acordo com o relatório da Polícia Federal, recursos que teriam origem em sonegação fiscal e outros ilícitos praticados no setor de combustíveis foram inseridos no Sistema Financeiro Nacional por meio de estruturas utilizadas para dificultar a identificação da origem e dos beneficiários dos valores.
O grupo econômico formado pelas empresas Aster Petróleo e Copape Produtos de Petróleo aparece entre os principais elementos da investigação. Segundo a PF, o dinheiro passava por uma instituição de pagamento que mantinha chamadas “contas-bolsão”, sem identificação individualizada dos titulares.
Posteriormente, os recursos eram movimentados por uma estrutura composta por fundos de investimento organizados em sequência e administrados por três distribuidoras de títulos e valores mobiliários. A investigação busca identificar como essas estruturas teriam sido utilizadas para ocultar patrimônio e reinserir recursos de origem considerada ilícita no sistema financeiro.
A PF afirma ter utilizado documentos produzidos pelos próprios investigados, perícias técnico-contábeis e informações bancárias para reconstruir as movimentações financeiras.
O indiciamento, por si só, não representa condenação. As acusações ainda serão submetidas às etapas seguintes da investigação e do processo judicial.
Mansur também fez delação no caso Banco Master
Além da investigação relacionada ao setor de combustíveis, Mansur é investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro.
Em setembro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) firmou um acordo de colaboração premiada com Mansur. A colaboração foi encaminhada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pelo caso, para análise e eventual homologação.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, Mansur entregou documentos e informações sobre operações financeiras e sobre a utilização de fundos de investimento ligados à Reag. A colaboração também teria como foco movimentações atribuídas a Vorcaro e ao Banco Master.
Como o acordo ainda não havia sido homologado, seu conteúdo não possuía, naquele momento, validade jurídica como colaboração premiada plenamente reconhecida. A homologação depende da análise judicial dos requisitos legais e da voluntariedade do colaborador.
Reag aparece em diferentes investigações
A Reag já havia entrado no radar das autoridades em outras apurações. A instituição foi investigada na Operação Carbono Oculto, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo recursos relacionados ao setor de combustíveis e ao PCC.
No caso da investigação sobre o Banco Master, a PF também apura o uso de estruturas financeiras ligadas à Reag em operações atribuídas ao grupo de Daniel Vorcaro.
As diferentes investigações tratam de fatos e suspeitas que precisam ser analisados separadamente. O envolvimento de Mansur como investigado ou indiciado em uma apuração não significa, por si só, que todas as acusações levantadas em outros procedimentos estejam comprovadas.
Defesa não se manifestou
Procurada sobre o novo indiciamento, a defesa de João Carlos Mansur não apresentou manifestação pública até a publicação das informações consultadas.
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