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22 de setembro de 2026

Supremo Tribunal Federal

Mendonça acusa Moraes de usar relatórios da PF para intimidação no STF

Ministro enviou documento ao presidente do Supremo pedindo arquivamento de investigação e abertura de apuração contra Moraes por abuso de autoridade

Por Anna Luiza Bastos
Mendonça acusa Moraes de usar relatórios da PF para intimidação no STF
Mendonça acusa Moraes de usar relatórios da PF para intimidação no STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, apresentou defesa ao presidente da Corte, Edson Fachin, na segunda-feira (21), alegando que Alexandre de Moraes utilizou relatórios de inteligência da Polícia Federal como instrumento de intimidação. Os documentos apontam possíveis irregularidades na condução de investigações sobre o Banco Master e fraudes no INSS.

Na manifestação, Mendonça caracteriza os relatórios como um dossiê elaborado com desvio de finalidade, sem propósito de informação estratégica para o Estado. Segundo o ministro, os documentos violam parâmetros legais sobre a atuação da área de inteligência.

A defesa questiona a validade dos relatórios, ressaltando que eles próprios incluem a ressalva de serem de uso restrito e não possuírem valor probatório. Mendonça argumenta ainda que Moraes distorceu o conteúdo dos documentos para atribuir-lhe condutas que os próprios relatórios atribuem às equipes policiais envolvidas.

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Pedidos ao presidente do STF

Além do arquivamento imediato do procedimento aberto contra ele, Mendonça solicita a abertura de investigação para identificar a origem, autoria e circunstâncias da produção dos relatórios de inteligência. O ministro pede também a proibição de elaboração de novos documentos com o mesmo objeto, sob alegação de inconstitucionalidade.

A defesa solicita ainda que seja avaliada a possível prática de crimes de abuso de autoridade e denunciação caluniosa, pedindo investigação contra Moraes.

Contexto da crise

O procedimento contra Mendonça foi aberto após Moraes enviar à presidência do STF os relatórios da Polícia Federal apontando indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e favorecimento a grupos políticos. Nas alegações, Moraes afirmou que Mendonça teria usurpado a direção das investigações das autoridades policiais e direcionado apurações por motivos pessoais e políticos.

O pedido de investigação foi feito depois que Mendonça encaminhou à presidência da Corte registros de trocas de mensagens entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, sugerindo uma relação próxima entre ambos.

Fachin determinou manifestação da Procuradoria-Geral da República e, em seguida, concedeu cinco dias úteis para a defesa de Mendonça. Com a resposta apresentada, os autos retornam à presidência do Supremo para definição dos próximos passos.

Julgamento em suspenso

A análise das acusações contra Mendonça estava marcada para 23 de setembro, mas foi retirada da pauta após tumulto no plenário. Na terça-feira (15), o STF começou a discutir a possibilidade de reunir os procedimentos contra Mendonça e Moraes em um único julgamento.

A questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes dominou a sessão e foi interrompida por pedido de vista de Flávio Dino. O placar parcial ficou em 4 a 3 pela manutenção dos processos separados. Fachin, Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram pela separação; Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Moraes defenderam a análise conjunta.

A indefinição sobre a forma de tramitação deixou sem data a continuidade do julgamento.

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