Caso Master
Polícia Federal adia conclusão de inquérito sobre fraudes do Banco Master
Investigação sobre supostas fraudes na tentativa de venda do banco ao BRB deve avançar após as eleições; Vorcaro e o pai depuseram sobre grupo investigado por ameaças
A Polícia Federal adiou a conclusão do chamado inquérito-mãe do Banco Master, investigação que concentra a primeira frente das apurações sobre supostas fraudes bancárias envolvendo a instituição financeira.
A previsão inicial era finalizar essa etapa até o fim de setembro. Segundo informações divulgadas pelo jornalista Valdo Cruz, do g1, o andamento da investigação foi afetado pela crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), e a expectativa agora é que o encerramento ocorra somente depois das eleições de outubro.
Essa primeira investigação trata das operações realizadas durante a tentativa de venda do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB). Entre os próximos passos esperados estão possíveis indiciamentos de pessoas investigadas por suspeitas relacionadas às fraudes.
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Investigação sobre a venda ao BRB
A PF apura suspeitas de irregularidades praticadas durante o processo de negociação envolvendo o Banco Master e o BRB.
Entre os nomes investigados estão o ex-controlador do Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. Servidores do Banco Central também são investigados sob suspeita de terem fornecido informações privilegiadas relacionadas ao processo.
A expectativa dos investigadores era formalizar os indiciamentos ainda em setembro. Com a mudança no cronograma, entretanto, essa etapa deve ocorrer posteriormente.
As conclusões da investigação ainda precisam ser submetidas às etapas seguintes do processo, e eventual indiciamento não representa condenação.
PF investiga grupo chamado “A Turma”
Paralelamente ao inquérito sobre as fraudes bancárias, a Polícia Federal conduz uma investigação sobre um grupo identificado nas apurações como “A Turma”, que teria atuado para monitorar, intimidar e pressionar pessoas consideradas adversárias de Vorcaro.
A PF investiga ainda referências ao grupo denominado “Os Meninos”. Segundo informações divulgadas durante a investigação, os integrantes teriam acesso a informações sigilosas e poderiam atuar contra pessoas que contrariassem interesses do ex-banqueiro.
Um dos nomes relacionados à investigação é Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”. Ele foi preso durante uma operação da PF e morreu posteriormente por suicídio enquanto estava sob custódia em Minas Gerais.
A investigação também analisa mensagens e dados extraídos de aparelhos eletrônicos que, segundo os investigadores, indicariam possíveis ações de intimidação contra desafetos, incluindo jornalistas.
Vorcaro nega envolvimento
Daniel Vorcaro prestou depoimento à Polícia Federal na quarta-feira (30). Segundo a Agência Brasil, ele negou qualquer participação em ações violentas ou de intimidação e afirmou não conhecer os grupos chamados de “A Turma” e “Os Meninos”.
Em depoimento, o ex-banqueiro também negou ter determinado ações contra pessoas consideradas suas adversárias. De acordo com informações divulgadas após a oitiva, ele classificou como desabafos algumas conversas nas quais utilizou expressões sobre possíveis ações contra desafetos.
A defesa sustenta que as mensagens apresentadas pela investigação foram interpretadas fora de contexto e afirma que não existe comprovação de uma estrutura criminosa organizada vinculada a Vorcaro.
Pai de Vorcaro também é investigado
Henrique Vorcaro, pai de Daniel, também foi chamado para prestar esclarecimentos no mesmo inquérito. A investigação busca esclarecer sua eventual participação na estrutura financeira atribuída ao grupo.
Informações divulgadas anteriormente apontavam que a PF investigava a hipótese de que Henrique Vorcaro teria realizado pagamentos a Luiz Phillipi Mourão. Essa participação, porém, é objeto da investigação e não constitui conclusão definitiva sobre sua responsabilidade.
Os depoimentos de Daniel e Henrique foram planejados pela PF como uma das etapas finais da apuração sobre “A Turma”.
Investigações seguem em diferentes frentes
O caso Banco Master reúne diferentes procedimentos, que investigam desde as operações financeiras relacionadas à instituição até possíveis crimes envolvendo pessoas ligadas ao banco.
O chamado inquérito-mãe concentra a apuração sobre as supostas fraudes bancárias relacionadas à tentativa de venda ao BRB, enquanto outras investigações analisam movimentações financeiras, relações com terceiros e a possível atuação de grupos de intimidação.
Com a alteração do cronograma, a PF deverá continuar a coleta e análise de informações antes de concluir a primeira etapa da investigação.
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