Pular para o conteúdo
21 de setembro de 2026

Mercado Financeiro

Bolsa pode subir 28% após eleições com cenário favorável, aponta JPMorgan

Banco americano identifica correlação entre avanço da oposição nas pesquisas e valorização dos ativos brasileiros no último mês

Por Thayce Mello Atualizado às 11:20
Bolsa pode subir 28% após eleições com cenário favorável, aponta JPMorgan
Bolsa pode subir 28% após eleições com cenário favorável, aponta JPMorgan

A bolsa de valores brasileira tem potencial de valorização de 28% caso o resultado das eleições de outubro seja interpretado pelos investidores como favorável para o controle fiscal e a economia do país. A projeção consta em relatório de estratégia para ações brasileiras divulgado pelo JPMorgan.

De acordo com o documento, os ativos locais já apresentam reação ao fortalecimento da oposição nas sondagens eleitorais, o que colocou o Brasil como o mercado emergente de melhor desempenho no último mês.

Os estrategistas do banco, liderados por Emy Shayo Cherman, identificaram forte correlação entre o índice MSCI Brazil e o avanço das probabilidades eleitorais da oposição em plataformas de apostas. Desde julho, o indicador registrou alta média de 0,2% nos dias em que cresceram as chances de vitória de Flavio Bolsonaro. Em setembro, essa sensibilidade se acentuou, com ganho médio diário de 0,72% nessas sessões.

Continua depois da publicidade

O JPMorgan reconhece que fatores globais costumam determinar os movimentos dos mercados latino-americanos, mas ressalta que períodos eleitorais ampliam o peso das variáveis domésticas, levando os preços a oscilarem além do que seria explicado apenas pelo cenário internacional.

Mercado ainda reflete cautela

Apesar da recuperação recente, o mercado brasileiro ainda negocia próximo de um cenário de deterioração, segundo a análise do banco. Utilizando metodologia aplicada em todas as eleições desde 2014, os analistas dividem os múltiplos históricos da bolsa em quatro cenários: crise, deterioração, melhora e ajuste estrutural.

Atualmente, o mercado opera a cerca de 8,6 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, patamar situado entre os cenários de deterioração e melhora, mas mais próximo do primeiro. A migração para o cenário de melhora representaria o potencial de alta de aproximadamente 28% para o MSCI Brazil. Já um cenário de ajuste estrutural indicaria valorização de 54%.

O comportamento recente do mercado se assemelha ao registrado em 2014, quando houve forte correção antes da eleição seguida por recuperação posterior. A diferença, segundo os estrategistas, é que a possibilidade de vitória da oposição e uma composição mais conservadora do Congresso poderiam antecipar parte da reprecificação dos ativos.

Impacto dos juros

O relatório também projeta o efeito das taxas de juros sobre a bolsa. Em um cenário negativo, os rendimentos dos títulos públicos de dois anos poderiam subir cerca de 90 pontos-base, implicando queda aproximada de 3,6% no MSCI Brazil. Por outro lado, um desfecho favorável poderia levar a redução semelhante dos juros, resultando em valorização de cerca de 6,4% para o índice.

Para prazos mais longos, a equipe do banco recorre ao período entre 2016 e 2020, quando os juros reais recuaram significativamente e a bolsa registrou forte expansão dos múltiplos de valuation. Com base nessa experiência histórica, o JPMorgan estima que um ciclo mais profundo de queda das taxas poderia gerar valorização entre 21% e 41% para o MSCI Brazil, dependendo da magnitude da redução dos rendimentos.

Participe da conversa

Acesse sua conta Mancheck para comentar.

Entrar