Pular para o conteúdo
25 de setembro de 2026

Meio Ambiente

Manaus registra poluição recorde e lidera ranking mundial de ar mais tóxico

Capital amazonense teve índice de poluição 20 vezes acima do limite da OMS; queimadas no estado cresceram 85% e cientistas apontam El Niño como fator agravante

Por Daniel Caixeta Atualizado às 10:15
Manaus registra poluição recorde e lidera ranking mundial de ar mais tóxico
Manaus registra poluição recorde e lidera ranking mundial de ar mais tóxico

Manaus voltou a amanhecer coberta por uma densa camada de fumaça em setembro, em meio ao avanço das queimadas no Amazonas. A deterioração da qualidade do ar colocou a capital amazonense entre as cidades com piores índices de poluição atmosférica registrados no período.

Em determinados momentos, plataformas internacionais de monitoramento chegaram a apontar Manaus com qualidade do ar pior que a de grandes centros urbanos como Kinshasa, na República Democrática do Congo.

Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas, registraram na quarta-feira, 23 de setembro, concentração de partículas finas de 324,1 µg/m³ em um dos pontos monitorados.

Continua depois da publicidade

O nível corresponde a mais de 20 vezes a referência de 15 µg/m³ para média de 24 horas recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para partículas finas MP2,5.

No Distrito Industrial I, outro ponto de monitoramento apresentou concentração de 188,5 µg/m³, enquadrada em nível considerado crítico pelos sistemas de acompanhamento da qualidade do ar.

A fumaça proveniente das queimadas contém poluentes como material particulado fino (MP2,5), partículas inaláveis (MP10), monóxido de carbono e carbono negro. A exposição a essas substâncias está associada ao agravamento de problemas respiratórios e cardiovasculares.

Serviços de saúde também acompanham possíveis impactos da fumaça sobre a população.

Amazonas registra forte aumento das queimadas

A piora da qualidade do ar ocorre em meio ao crescimento dos focos de calor no estado.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que o Amazonas acumulou aproximadamente 3.240 focos de calor em setembro até o dia 23.

No acumulado de 2026, o estado chegou a cerca de 5,7 mil focos, número aproximadamente 85% superior aos 3.113 registros contabilizados durante todo o ano de 2025.

Municípios como Autazes e Manacapuru, próximos à capital, além de Apuí, Lábrea, Manicoré e Novo Aripuanã, aparecem entre as áreas afetadas pela ocorrência de queimadas.

Amazonas e Pará também concentraram parcela significativa dos focos registrados recentemente no país.

Manaus registra 38,6°C

Além da fumaça, Manaus enfrenta temperaturas elevadas.

Na terça-feira, 22 de setembro, os termômetros chegaram a 38,6°C, maior temperatura registrada na capital amazonense em 2026 até então, segundo dados meteorológicos divulgados no período.

A combinação de altas temperaturas, baixa umidade e redução das chuvas favorece condições mais propícias à propagação de incêndios e pode dificultar a dispersão dos poluentes presentes na atmosfera.

El Niño aumenta preocupação para os próximos meses

O cenário também ocorre em meio ao fortalecimento do El Niño.

Projeções do Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (CPC/NOAA) apontam probabilidade superior a 90% de o atual episódio atingir intensidade muito forte.

O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e pode alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.

No Norte do Brasil, seus efeitos podem contribuir para redução das chuvas e aumento das temperaturas em determinadas áreas, embora a intensidade dos impactos dependa também de outros fatores climáticos, incluindo as condições do Oceano Atlântico.

O cenário desperta atenção após os eventos extremos registrados na Amazônia nos últimos anos. Em 2024, uma forte estiagem atingiu o Amazonas e afetou milhares de famílias, em um contexto influenciado por diferentes fatores oceânicos e atmosféricos.

Prefeitura acompanha situação

A Prefeitura de Manaus informou que acompanha a qualidade do ar e mantém ações de prevenção, fiscalização e monitoramento por meio do Comitê de Prevenção às Queimadas.

Até o momento, as aulas não foram suspensas, mas unidades escolares receberam orientações para adoção de medidas preventivas diante da presença de fumaça.

A situação também repercutiu nas redes sociais. A ex-BBB Isabelle Nogueira publicou imagens de Manaus encoberta pela fumaça e criticou a situação enfrentada pela população.

Enquanto os focos de queimadas permanecem elevados, órgãos ambientais e meteorológicos continuam acompanhando a qualidade do ar e as condições climáticas no Amazonas.

Participe da conversa

Acesse sua conta Mancheck para comentar.

Entrar